A FESTA DE SANTO ESTÊVÃO
OU DOS RAPAZES EM OUSILHÃO
Todos os anos, nos dias 24, 25 e 26 de Dezembro, o povo repete as
mesmas cerimónias e os mesmos ritos. Tudo se passa, como se fosse pela primeira
vez, ou como se começasse tudo de novo, in
illo tempore, com a “reactualização periódica”, dos mesmos rituais. A
festa é feita pelo povo e organizada pelos mordomos - quatro moços - que já
ficaram incumbidos no ano anterior de realizar a festa no ano seguinte.
Quando os mordomos se eximem das suas obrigações os rapazes da aldeia
fazem-lhe o enterro. Com todo o cerimonial armam um cadafalso, preparam um púlpito,
os bancos e a estante para os ofícios. Preparam um “mono” - um boneco feito
com palha e farrapos - e chamam os “padres” (homens trajados de padres) e os
mascarados que gritam, cantam e dançam ao som da gaita-de-foles e ao mesmo
tempo conduzem o cadáver (o mono) até ao cadafalso. Entoam de seguida o “ofício”.
Quando este está terminado o pregador faz o elogio fúnebre - uma farsa em
verso que faz rir à gargalhada os ouvintes -, de seguida lê o testamento e por
fim, os elementos que participaram fazem a incineração do cadáver. Concluída
a cerimónia comem e bebem até fartar. Este ritual acontece raramente, pois
ninguém quer sujeitar-se a este levantamento social, mas segundo o testemunho
do Senhor Alberto Esteves, de 75 anos, habitante e residente em Ousilhão e
ainda elemento activo da festa, lembra-se de participar num acontecimento destes.
Diz ainda o nosso informador, que nesse ano a festa não se fez e, por isso, a agricultura não deu nada,
os frutos bicharam e os animais adoeceram.
Em anos anteriores, a festa era organizada pelos rapazes de um dos
bairros, mas, hoje, já não importa a que bairro pertencem os organizadores,
apesar de ter sofrido algumas alterações, a festa de Ousilhão, comparada com
a festa das povoações vizinhas, é aquela que preserva a maior parte dos
elementos tradicionais:
Tem como personagens principais um rei e dois vassais, quatro
moços, um gaiteiro, um tamborileiro
e um grupo de mascarados e como ritos
cerimoniais a ronda - que integra o
peditório e uma espécie de roubo - a todos os moradores da aldeia, contando
para o efeito com a presença dos mascarados, dos quatro moços, do gaiteiro e
do tamborileiro; estes, indo de casa em casa dão as boas-festas acompanhados de
música, dança e recebem em troca uma oferenda; a missa celebrada ao santo e a refeição
cerimonial e colectiva que
integra a bênção da mesa, a transferência de poderes e o leilão
da mesa.
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FOTO N.16a - O
REI E OS “VASSAIS” |
FOTO N.15 - OS
MOÇOS, O GAITEIRO E OS TAMBORILEIROS |