Sendim, um pouco de história

 

Segundo J. Leite de Vasconcelos e Abade de Baçal, o nome Sendim, aparece já em registos do Século X. Não quer isto dizer que, até a esta data, a área geográfica de Sendim não tivesse sido povoada, inclusivé por povos da antiguidade.As arribas do Douro

Os vários locais (vestígios) que o tempo não conseguiu desfazer e os nomes que a tradição oral manteve até aos nossos dias, tal como "L Buraco d’l Mouro", "Faias Malas", "Mal Lhugar", "S. Paulo", "L’s Arresinais" (ou seja lugar dos horrores) ou "L’s Santos" onde ainda hoje se pode ver uma pintura medieval(?) pintada na fraga granítica da cabana, são prova evidente da presença desses povos nesta área geográfica.

Para além destes locais, a permanência do homem por estas paragens, regista-se com outros nomes, que indicam tempos mais recentes, como "L’s Pisones", "Forcaleiro" ou seja "Forno Caleiro" ou "La Bodega".

É bem possível que algum local dentro do actual povoado tenha sido criado aquando da romanização, e que tenha sido efectivamente Sendim, uma quinta de um qualquer general romano de nome "Sandinus" , tal como Constantim de um "Constantini", e daí lhe tenha vindo a toponímia. Esta versão ganha sentido, ao observarmos que a parte velha de Sendim é relativamente pequena, e mesmo sem registos históricos/arqueológicos de relevo, a não ser a Fonte do Lugar, o nome da Rua da Calçada, Rua do Caminho das Vinhas e Rua do Cancelo ou Canselo, Sendim poderia ter sido uma quinta ou local de permanência de gente importante, cercada de muro ou sebe, e onde, na parte Norte do povoado, existiria um largo portão de entrada.L's Santos

Mas ao que parece, e disso existem já registos históricos, é a partir de 1492, quando os Reis Fernando e Isabel de Espanha ordenam a expulsão dos judeus dos seus reinos e D. João II, os aceita em Portugal, que se tenha fixado em Sendim, uma significativa comunidade judaica, trazendo com ela gente e progresso. A prová-lo estão os registos da Inquisição que dizem ter sido julgados 127 indivíduos no Concelho de Miranda do Douro, dos quais 82 eram de Sendim.

A ligação antropológica da comunidade Sendinesa à diáspora judaica é significativa, não só nos traços físicos e comportamentais, como também no sentido de aventura e descoberta. Assim poderão encontrar-se, aqui, as razões históricas para justificar a maior comunidade emigrante e migrante do planalto.