1º Festival Gastronómico de Sabores Mirandeses

(Artigo publicado n'A Voz do Nordeste,
edição de 21 de Março de 2000)
A Voz do Nordeste

Organizado pela Câmara Municipal de Miranda do Douro e com a colaboração da Associação Nacional de Criadores de Bovinos da Raça Mirandesa, da Associação Nacional de Ovinos de Raça Churra Mirandesa e da Associação Comercial e Industrial de Miranda do Douro, decorreu de 4 a 6 do mês corrente, o 1º Festival Gastronómico - Sabores Mirandeses.

Tratou-se de uma primeira iniciativa que persegue objectivos reconhecidamente válidos e que, como qualquer primeira iniciativa, e fundamentalmente por isso, consideramos meritória.

O evento, na opinião da organização, ultrapassou as expectativas. Pelas opiniões recolhidas e pela apreciação pessoal feita, parece-nos que as expectativas da organização foram fasquiadas muito por baixo.

O êxito de uma iniciativa não pode ser medido apenas pela quantidade, maior ou menor, que se consome de um determinado ou determinados produtos. Há vários, bastantes, outros aspectos que têm de ser tomados em consideração.

Se se pretende ombrear, como presumimos, com outras iniciativas que promovem o mesmo ou idênticos tipos de produtos e que têm lugar na terra transmontana, e designadamente com Vinhais, que já tem grande projecção nacional, então teremos que proporcionar uma realização tão boa ou melhor do aquele Município para se conseguir obter a imagem que aos mirandeses interessa.

Poderão dizer-nos tratar-se de um primeiro passo. Aceitamos. Porém, importa que esse primeiro passo seja bem dado para não ficarem comprometidos os seguintes.

Um evento desta natureza exigia, quanto a nós, uma preparação atempada, com um trabalho de sensibilização e mobilização a nível do concelho, eventualmente, com a instituição de prémios estimulantes aos produtores e, sobretudo, com uma bem cuidada selecção dos produtos a apresentar.

Teria que se apostar, pelo menos, em três vertentes: quantidade, qualidade e variedade.

Não nos parece que a conjugação desta trilogia de elementos básicos tenha sido conseguida. Longe disso.

O programa, de um modo geral, foi pouco aliciante e bastante modesto. Entendemos que um Festival do tipo do anunciado pode e deve tê-lo a complementá-lo algum outro tipo de património cultural artístico, como o artesanato, por exemplo, já que essa mais valia enriquece qualquer certame.

Este certame foi publicitado como sendo de Gastronomia. A nós mais nos pareceu de Artesanato. É que, tirando os cerca de dezasseis pavilhões de artesanato, a gastronomia ficaria reduzida talvez a três e nem todos, certamente, poderiam oferecer sabores genuinamente mirandeses.

Ficaria extenso este artigo se quiséssemos apontar as críticas que este evento nos suscitou e que deverão ser entendidas no sentido construtivo porque entendemos também que o Município de Miranda do Douro tem potencialidades neste domínio que devem ser exploradas.

Os comeres tradicionais desta terra fazem parte de um todo mais alargado e que se estende por toda a região transmontana. Os produtos são muito semelhantes, indubitavelmente. A diferença poderá estar na maneira de confeccionar e também, é certo, nalgumas especificidades susceptíveis de proporcionarem outros paladares e isso é, de facto, aliciante.

O Município de Miranda do Douro produz de tudo um pouco. Importa procurar combinar equilibradamente, qualidade e variedade.

Diz-se que esta iniciativa foi um primeiro passo e que mais passos serão dados.

Esperamos que sim e que sejam melhor executados.

Estamos convencidos que sim, que poderão ser bastante melhores, sobretudo se tomar como referência ou termo de comparação a edição deste ano.


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Última actualização: 22 de Março de 2001
Autor: Fernando Subtil (A Voz do Nordeste)
Responsável: Reis Lima Quarteu