Miranda sem Matadouro

(Artigo publicado n'A Voz do Nordeste,
edição de 25 de Maio de 1999)
A Voz do Nordeste

Aquilo que já tinha sido uma ameaça por diversas vezes acabou por se transformar em realidade: Miranda do Douro vai perder o seu matadouro. O governo foi adiando a decisão, mas agora são as regras da União Europeia que impõem a necessidade de fechar todos os matadouros que não obedeçam a determinadas regras de higiene.

O matadouro de Bragança foi dos primeiros a ser encerrado, ainda no tempo de José Luís Pinheiro. Luís Mina prometeu construir um novo, mas ao fim de dois mandatos não conseguiu concretizar essa promessa. Jorge Nunes, aquando da campanha para as últimas autárquicas, prometeu que ainda no ano de 1998 começaria a construir o novo matadouro de Bragança. Mas também Jorge Nunes não foi capaz de cumprir essa promessa e, ultimamente, sempre que um Secretário de Estado do Ministério da Agricultura ou o próprio Ministro vêm ao distrito, lá vai Jorge Nunes disparado a pedir a ajuda do governo para a construção do matadouro. Só que até ao momento ainda não conseguiu quaisquer garantias. Apenas lhe foi prometido que, se houver dinheiro disponível nos fundos comunitários respectivos, Bragança não deixará de ver atendido o seu pedido.

Quem já tem o problema resolvido é a Câmara de Vinhais, cujo Presidente soube jogar com o certificado do porco bísaro e andar a tempo e horas para garantir o que já garantiu, ou seja, a comparticipação financeira necessária para a construção do matadouro.

Em Miranda do Douro, o matadouro não foi encerrado na mesma altura que o de Bragança, mas posteriormente esteve para ser fechado por diversas vezes, o que não aconteceu apenas pelas pressões que os anteriores Presidentes de Câmara fizeram junto do Ministério da Agricultura. Agora, porém, o golpe de misericórdia chegou e já nada parece valer-lhe.

O actual Presidente da Câmara de Miranda do Douro, do PSD, culpa o governo pelo encerramento do matadouro, enquanto que a Comissão Política Concelhia (CPC) do PS acusa o Presidente da Câmara de inacção e passividade, responsabilizando-o por nada ter feito para evitar o desenlace fatal relativo ao matadouro. Segundo o comunicado da CPC do PS de Miranda do Douro, o governo autorizou, em 1997, um matadouro no Planalto Mirandês, sendo contemplado o concelho que se adiantar na apresentação de um projecto credível.

Segundo o comunicado do PS, foram várias as vezes em que a actual maioria foi alertada para a necessidade de disponibilizar um terreno e apresentar um projecto para a construção de um novo matadouro, sem nunca ter sido dado seguimento a qualquer iniciativa destinada a esse fim.

Independentemente de quem é a culpa, o que é certo é que Miranda do Douro fica sem o seu actual matadouro porque este já não reúne as condições mínimas para poder funcionar segundo as normas da União Europeia.


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Última actualização: 23 de Julho de 1999
Responsável: Reis Lima Quarteu