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(Artigo publicado n'A Voz do Nordeste, edição de 20 de Julho de 1999) |
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A homenagem a António Maria Mourinho, promovida pelo Município mirandês, culminou com a cerimónia da inauguração de um busto, da autoria do escultor José António Nobre, colocado no lado sul do jardim do antigo Paço Episcopal.
A escultura foi descerrada pelo presidente da Câmara, acompanhado pela viúva de António Maria Mourinho e pelo autor da obra, sob um calor tórrido, que determinou a transferência das alocuções para o salão nobre da Câmara Municipal.
Aí, José António Nobre deu conta da sua “mágoa” por se ter inaugurado uma obra inacabada, já que o busto deveria estar contextualizado por blocos de granito, simbolizando os livros que A. Mourinho escreveu, “representados por fincões, marcas vivas de um povo e de um tempo, memórias que ele nos deixou, enciclopédias do saber que, tal como as fragas, nunca morrerão.”
De facto, o busto está pronto desde há dois anos e, segundo o escultor, a Câmara Municipal terá descuidado a procura dos blocos de granito, conduzindo a uma inauguração que não teve a dignidade necessária. O local escolhido, também a precisar de dignificação, permite que o busto pareça “mirar a igreja dos Frades Trinos, local que serviu para guardar os objectos recolhidos, destinados ao Museu que A. Mourinho lançou e de que veio a ser Director.
O presidente da Câmara justificou a situação com dificuldades técnicas de obtenção de blocos adequados nas pedreiras da região e prometeu a solução para breve.
Convenção Ortográfica do Mirandês
A Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa foi apresentada, no Salão Nobre da Câmara Municipal, por Cristina Martins, professora de Linguística da Universidade de Coimbra e integrante do grupo de trabalho que a fixou.
A uniformização da escrita visa contribuir para potenciar a utilização da língua que, até agora, estava muito condicionada à oralidade.
Faltam ainda instrumentos básicos para os utilizadores, que poderão estar disponíveis em breve: uma gramática e um dicionário. Também um dicionário bilingue (Mirandês-Português) está em desenvolvimento.
Júlio Meirinhos não foi convidado
Apesar de ter sido o autor da proposta que conduziu à oficialização da língua mirandesa, o deputado Júlio Meirinhos não foi convidado para as cerimónias realizadas em Miranda do Douro.
Questionado sobre a situação pela Voz do Nordeste, Manuel Rodrigo esclareceu que não fora convidado nenhum deputado, acrescentado que Meirinhos também não o convidou para a reunião, em Lisboa, a propósito da solução para a questão do matadouro local.
Última actualização: 25 de Julho de 1999
Responsável: Reis Lima Quarteu