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(Artigo publicado no Semanário Transmontano, edição de 25 de Junho de 1999) |
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Desta vez não houve boicote. Mas poucos mirandeses se deslocaram às urnas para exercer o seu direito de voto. A abstenção atingiu os 93,5 por cento. Entretanto, segundo confirmou o governador civil de Bragança, Paz Dias, ao Semanário TRANSMONTANO, estão já identificados 20 indivíduos envolvidos no boicote do dia 13.
No Domingo passado, Miranda do Douro foi novamente a votos no âmbito das eleições dos representantes de Portugal para o Parlamento Europeu, após o boicote do dia 13, que se generalizou às 16 freguesias do concelho.
Desta vez, o boicote foi substituído por uma abstenção de 93,5 por cento. Na cidade de Miranda, dos 1.592 eleitores inscritos, apenas 47 foram às urnas.
Estes resultados surgem na sequência de uma semana de reacções e contra-reacções relativas aos acontecimentos do domingo anterior, que Paz Dias considerou terem constituído "mais um motim que um boicote".
Na altura, o governador civil afirmou publicamente que daria indicação à GNR para que procedesse à identificação dos que "boicotaram de forma incorrecta" o acto eleitoral. Entretanto, assegurou, em declarações ao Semanário TRANSMONTANO, que estão já identificados entre 15 e 20 indivíduos, referindo que "não devem ser muitos mais os responsáveis".
Estes indivíduos ficam sujeitos a uma pena de prisão até cinco anos, realçando Paz Dias que "o eventual envolvimento de autarcas pode conduzir à perda de mandato".
O efeito da propaganda
Na sequência de algumas afirmações publicadas pela imprensa, na altura, segundo as quais o Governador Civil terá chamado "trauliteiros, vândalos e selvagens" aos mirandeses, Paz Dias faz questão de referir que os adjectivos se destinavam apenas aos grupos directamente responsáveis pelo boicote, realçando que conhece bem a população mirandesa, considerando-a "trabalhadora, pacata, honesta e ordeira".
Em relação à elevada abstenção que se registou na repetição das eleições, e que acabou por dar a vitória aos socialistas com quase 54 por cento dos votos, Paz Dias argumentou que foi a consequência "de uma intensa propaganda de apelo ao não voto" e que "a população não quis arranjar problemas, e por isso, não votou".
Onde também se deveriam repetir as eleições era em Vilar de Ledra e em Contins, duas aldeias anexas da freguesia de Carvalhais, no concelho de Mirandela, que no dia 13 boicotaram também o acto eleitoral. Porém, o aqui o boicote repetiu-se, e as mesas de voto nem chegaram a abrir.
Última actualização: 23 de Julho de 1999
Autora: Virgínia do Carmo (Semanário TRANSMONTANO)
Responsável: Reis Lima Quarteu