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(Artigo publicado no Semanário Transmontano, edição de 2 de Julho de 1999) |
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No passado dia 24 foram assinados os contratos de construção dos matadouros de Bragança e de Vinhais, duas sessões autónomas, para dois projectos distintos, mas com um historial semelhante.
Depois das respectivas candidaturas terem passado pelo IFADAP, cuja aprovação, segundo os respectivos autarcas, já tardava em chegar, ambos tinham já tornado pública a decisão de avançar com os projectos, independentemente dos apoios financeiros chegarem ou não.
Em Vinhais esteve o secretário de Estado da Modernização Agrícola, Luís Vieira, que assinou, também, o contrato de financiamento do IFADAP do respectivo matadouro.
Em Bragança a assinatura do contrato de construção do matadouro estava já agendada há algum tempo. Por coincidência, a notícia da aprovação da candidatura de financiamento pelo IFADAP (Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pescas), ainda dentro do presente Quadro Comunitário de Apoio, chegou na véspera, ao fim do dia.
Jorge Nunes, o autarca bragançano, disse ter reagido "com tranquilidade" à decisão do Governo, e considerou-a como uma decisão "inteligente", tomada no "momento oportuno".
Afirmou, ainda, ter para si "a convicção de que o projecto iria ser apoiado financeiramente pelo Governo, por causa do compromisso assumido pelo anterior ministro da Agricultura nesse sentido".
De qualquer forma, acrescentou Jorge Nunes, a empresa Terra Fria, constituída neste âmbito, "tinha já tomado a decisão de avançar com as obras e tinha já realizado a respectiva negociação com a empresa responsável pela empreitada, a Agropromotora".
Jorge Nunes não acredita que o projecto tenha beneficiado com o encerramento do Matadouro de Miranda do Douro e concorda com a necessidade de uma pequena unidade de abate naquela região para satisfação das necessidades locais, pois "hoje é indispensável que haja uma grande proximidade entre a produção e o consumo", defendeu o autarca, considerando ainda que "o país deu um passo correcto, em termos de política de construção de matadouros, invertendo uma estratégia anterior que, na minha opinião, era errada".
Uma obra necessária
Para Jorge Nunes, este empreendimento "vem fazer face a uma situação difícil que se estava a viver, no distrito e, particularmente, no concelho de Bragança, "onde estão 33 por cento dos efectivos dos bovinos". A ausência de uma unidade de abate na zona, defendeu, significava "sacrificar a lavoura e incentivar a desertificação".
Este matadouro vai servir a produção de Bragança, Vimioso, alguma de Macedo de Cavaleiros. Jorge Nunes acredita que, também poderá abranger parte de Vinhais, uma vez que este matadouro possuirá uma unidade de desmanche, indispensável para salvaguardar a denominação de origem das raças autóctones, e que o matadouro de Vinhais não tem.
Pinto Cardoso, o presidente do conselho de administração da Agropromotora, defendeu a sua empresa como "a que tem maior número de matadouros projectados, incluído os construídos e os acessorados, em Portugal continental e insular", sendo responsável, entre outros projectos, pela remodelação do matadouro da Fricarnes "um dos maiores matadouros do país em termos de abate".
A obra, orçada em 180 mil contos, e comparticipada em 65 por cento da verba elegível (cujo montante não conseguimos apurar até ao fecho da edição), deverá ser iniciada dentro de 30 dias, sendo o prazo de execução de oito meses, prevendo-se que em Janeiro do ano 2000 poderá estar já em condições para iniciar o seu funcionamento, na Zona Industrial de Bragança.
Vinhais: a importância do fumeiro
Em Vinhais, a assinatura do contrato entre a empresa Carne de Vinhais, igualmente constituída com o objectivo da construção do matadouro, e a Agropromotora, foi "enriquecida" com a presença do secretário de Estado para a Modernização Agrícola, Luís Vieira, que por motivos de agenda não esteve em Bragança, deixando, no entanto, a mensagem de que brevemente se deslocaria à capital nordestina para solenizar a assinatura do contrato do financiamento do IFADAP.
Carlos Taveira, presidente da Câmara de Vinhais, justificou a construção deste matadouro com a importância que o sector agropecuário representa para a economia do concelho, que tem como importante mais valia o porco bísaro, uma raça autóctone. Das 770 toneladas de carne que se prevê venham a sair do matadouro, anualmente, 420 deverão ser de carne de suíno.
A outra mais valia importante para a economia de Vinhais é o fumeiro, estando reconhecidas com a Indicação Geográfica Protegida o seu salpicão e a sua chouriça de carne.
Este matadouro, cujos custos globais rondam os 121 mil contos, dos quais 78 mil contos serão assegurados por ajudas comunitárias e nacionais, deverá estar concluído até Março do próximo ano.
O objectivo é o abastecimento dos talhos e dos produtores de fumeiro do concelho de Vinhais
Matadouros encerrados
Luís Vieira aproveitou esta ocasião para defender a aposta do Governo "na segurança e na qualidade alimentar", justificando, assim, o encerramento de muitas unidades de abate em todo o país que não cumpriam as normativas comunitárias e citou os casos de Miranda do Douro e do Cachão.
Em relação ao matadouro de Miranda do Douro, a sua remodelação viria a revelar-se inviável, existindo já um projecto para a construção de uma nova unidade, que Luís Vieira disse já ter chegado ao seu ministério. No entanto, afirmou, o processo terá que ser analisado e avaliado para se saber se vai ou não ser aprovado.
Em relação ao matadouro do Cachão, recomeçou o seu funcionamento esta semana, depois de algumas obras.
Última actualização: 9 de Julho de 1999
Autora: Virgínia do Carmo (Semanário TRANSMONTANO)
Responsável: Reis Lima Quarteu