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(Artigo publicado no Semanário Transmontano, edição de 4 de Junho de 1999) |
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O Matadouro de Miranda do Douro encerrou mesmo. Nem os protestos nem as ameaças dos mirandeses o puderam evitar. Foi no passado dia 29, quatro dias após o PS ter acusado o actual executivo social democrata de ter agido "tardia e inadequadamente" relativamente a esta matéria. Entretanto, Manuel Rodrigo avança com a proposta de remodelação do actual matadouro, que funcionaria a título provisório, como alternativa ao transporte dos animais para abate no Cachão, o que, a seu ver, implica custos demasiado elevados.
No passado dia 29 o matadouro de Miranda do Douro, como havia sido determinado pelo governo no mês passado, na sequência da fiscalização europeia ao sector, acabou por encerrar, apesar dos protestos da autarquia e dos cidadãos, que chegaram a ameaçar cortar o fornecimento de energia a grande parte do país, a partir das barragens locais.
O encerramento teve lugar quatro dias após ter sido emitido pela estrutura concelhia do PS de Miranda do Douro um comunicado com o propósito de "esclarecer a verdade dos factos" em torno do encerramento da unidade de abate mirandesa.
De acordo com os responsáveis socialistas, a intervenção do actual executivo autárquico, liderado por Manuel Rodrigo, eleito pelo PSD, no âmbito desta matéria, foi "tardia, inadequada, inábil e reveladora de uma grande incapacidade política”.
Isto porque, segundo os socialistas, em 1997 terá sido aprovada a construção de uma nova unidade de abate no planalto mirandês por parte do Governo, sem que Manuel Rodrigo, entretanto eleito, lhe tenha dado a devida continuidade.
Os socialistas assumem que já no tempo dos executivos do seu partido havia a "consciência de que não era fácil sustentar por muito tempo o seu funcionamento", por se encontrar "inserido dentro de um espaço urbano e por não possuir condições higieno-sanitárias aceitáveis e ainda por não haver hipóteses de o adaptar às regras europeias".
Terá mesmo havido, afirmam os socialistas, "duas ameaças de encerramento", que o executivo socialista soube "enfrentar e contrariar".
Alternativa: remodelar
O social democrata que preside a autarquia já reagiu a este comunicado. Em declarações ao "Semanário TRANSMONTANO" disse não "ter conhecimento" de que tenha sido aprovado a construção do matadouro no planalto, acrescentando que a política do Governo, nessa altura, "era a construção de um matadouro por distrito e o encerramento de todos os outros". No entanto, segundo Manuel Rodrigo, o Governo terá aceite a possibilidade de construção de um outro matadouro no planalto mirandês "devido às más acessibilidades e à distância" relativamente à capital de distrito.
Entretanto, o autarca diz estar a trabalhar com a comissão liquidatária do Instituto Regulador e Orientador dos Mercados Agrícolas (IROMA), até há poucos anos atrás responsável pela gestão dos matadouros do país, no sentido de elaborar um projecto de remodelação do actual matadouro, que, a ser possível, permitiria retomar o seu funcionamento "dentro de dois ou três meses, numa situação provisória".
A vantagem desta alternativa em relação à actual, que consiste do transporte dos animais para serem abatidos no matadouro da PEC – Nordeste, no Cachão (Mirandela), passa, essencialmente, pelos custos. Segundo Manuel Rodrigo, o transporte dos animais implica custos "na ordem dos cinco mil contos mensais", sendo razoável a viabilização, ainda que provisória, do matadouro mirandês, "desde que os custos de adaptação não excedessem os 15 mil contos".
No que diz respeito ao novo matadouro, Manuel Rodrigo garante que existe um projecto licenciado, de privados, que poderá ser submetido ao IFADAP para financiamento, já neste mês de Junho.
Última actualização: 23 de Julho de 1999
Autora: Virgínia do Carmo (Semanário TRANSMONTANO)
Responsável: Reis Lima Quarteu