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(Artigo publicado no Público, edição de 17 de Março de 2000) |
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O Presidente da França põe o dedo em cima dos "Lusíadas" e pergunta ao Presidente de Portugal: "Como é que se diz...? Camôéch?" O Presidente de Portugal, que acordara de manhã no Porto e ainda ia jantar a Lisboa, mas que agora ali estava, em Paris, no seu papel de anfitrião de Portugal como país-tema do Salão do Livro, abre um sorriso e diz: "Camões". Concentrado, Chirac repete duas vezes: "Camões".
Chegados ambos os chefes de Estado a uma banca com livros de Pessoa, o gaulês retomaria a graça de aprender a bem dizer o nome do poeta. Isto, depois de assistir a uma demonstração dos Pauliteiros de Miranda, dar passou-bens a umas centenas de editores no caminho para o pavilhão português, assinar autógrafos (muitos autógrafos) às criancinhas (perguntou sempre o nome de cada criancinha), mantendo um sorriso de cartaz de campanha, enquanto os seus 10 guarda-costas exortavam (com uso dos bíceps) os jornalistas (e não só, e não só, a comitiva de Sampaio que o diga) a não respirarem demasiado perto do Presidente da França e seus ministros.
(...)
Desde as seis da tarde, hora a que os pontuais Chirac e Sampaio inauguraram o Salão com três minutos de Pauliteiros de Miranda (Chirac marcou o ritmo batendo palminhas), até ao Porto de Honra com que se despediram, passara uma hora e tanto. Foi ontem, tudo esteve pronto a tempo, Chirac foi à sua vida de Presidente gaulês e Sampaio apanhou o avião da noite para Lisboa.
Última actualização: 24 de Março de 2000
Fotografia: Copyright © de Présidence de la République
Autor: A. L. C. (Público)
Responsável: Reis Lima Quarteu