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(Artigo publicado no Público, edição de 25 de Junho de 1999) |
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O matadouro de Miranda do Douro, encerrado a 31 de Maio por falta de condições higiénicas e sanitárias, vai reabrir brevemente. A garantia foi dada pelo presidente da comissão liquidatária do IROMA (Instituto Regulador e Orientador dos Mercados Agrícolas), José Sacadura, a um grupo de produtores e comerciantes do planalto mirandês, que, na quarta-feira passada, se deslocou a Lisboa. "Saímos da reunião com a ideia de que o matadouro vai abrir o mais rapidamente possível", avançou Arsénio Ruano, um dos produtores que participaram na reunião. Sacadura referiu que a gestão da unidade de abate deve ser entregue aos produtores e comerciantes, "que se devem unir para viabilizar esta unidade".
A autarquia local comprometeu-se a fazer as obras necessárias para que o matadouro não fechasse e, numa reunião com José Sacadura, pediu-lhe uma relação das obras necessárias para o licenciamento da unidade de abate. O presidente do IROMA ficou então, na presença de cerca de três centenas de agricultores, de enviar essa relação e, no dia seguinte, um técnico do instituto deslocou-se ao matadouro para fazer o inventário das obras. No entanto, essa lista nunca chegou à autarquia e Sacadura afirma agora que "não cabe à câmara fazer obras naquilo que não lhe pertence".
A reunião de quarta-feira decorreu em Lisboa, foi promovida pelo deputado socialista Júlio Meirinhos e está a gerar mais uma guerra política entre este parlamentar e o presidente da edilidade, o social-democrata Manuel Rodrigo. Um encontro promovido para "encontrar uma solução, uma vez que as iniciativas que existiram até agora, nomeadamente da câmara municipal, foram completamente infrutíferas. Até ao momento, as coisas estão paradas, não há soluções nenhumas, e, fruto da grande pressão que os produtores me têm feito sentir, pedi esta reunião, para começarmos, da estaca zero, a traçar os caminhos a seguir", afirma Meirinhos.
A autarquia não se fez representar na reunião, porque o deputado disse claramente que Manuel Rodrigo não estava convidado. "A câmara municipal deve-se fazer representar, mas não na figura do senhor presidente, porque o relacionamento institucional de quem solicitou a reunião e a presidência da autarquia não conduziria a melhores resultados". Informado desta iniciativa por alguns produtores, o edil reagiu de imediato: "Lamento que me proíbam de ir a uma reunião onde eu gostaria de estar para defender os interesses dos meus munícipes", afirma.
Apesar de não ter sido convidado, Rodrigo preparou-se para acompanhar os comerciantes de carne. Segundo José Maria Pêra, produtor e talhante, "estava decidido, com o conhecimento do senhor José Augusto Raposo (ex-vereador do PS na autarquia), que um grupo de talhantes ia deslocar-se a Lisboa com o presidente da câmara. Ele (Raposo) disse que não era muito conveniente, mas acabou por dizer que não havia problema nenhum. Eram dez da noite de terça-feira, o senhor José Augusto falou comigo e disse que todos os indivíduos que fossem nos carros da câmara estavam sujeitos a não serem recebidos em Lisboa", afirma.
O matadouro de Miranda servia os produtores de três concelhos (Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro) e, mensalmente, eram abatidas mais de 60 toneladas de carne. Desde o encerramento desta unidade de abate que os produtores se viram obrigados a levar os seus animais para abater em Penafiel, mais de 200 quilómetros de distância. O matadouro do Cachão (Mirandela), que também encerrou para obras, deve abrir segunda-feira, mas os talhantes de Miranda estão já a protestar, porque foram informados que cada comerciante ou produtor apenas poderá efectuar um abate por semana: "Isto é inadmissível! Ou ficamos metade da semana sem vender carne ou então vendemos carne retardada", afirma Luís Raposo, indignado com esta situação.
Última actualização: 23 de Julho de 1999
Autora: Ana Fragoso (Público)
Responsável: Reis Lima Quarteu