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(Artigo publicado no Público, edição de 3 de Junho de 1999) |
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Para convencer os produtores de gado do Planalto Mirandês a aceitarem pacificamente o encerramento do matadouro de Miranda do Douro, consumado no passado dia 31 (de Maio), por falta de condições higieno-sanitárias, o Ministério da Agricultura ofereceu como alternativa o matadouro do Cachão (Mirandela), assegurando o transporte gratuito dos animais. Só que a promessa não está a ser cumprida, porque o matadouro do Cachão também recebeu ordem da tutela para fechar para obras no mesmo dia, tal como os matadouros de Chaves, Sernancelhe e Peso da Régua. Em toda a região transmontana, apenas ficou em funcionamento o matadouro de Montalegre.
Em declarações à agência Lusa, Fernando Sousa, secretário técnico do "Livro Genealógico da Associação de Criadores de Bovinos da Raça Mirandesa", considera "um escândalo o que se está a passar" e acusa o Ministério da Agricultura de "andar a brincar com os produtores" e de ser "o único responsável por esta situação, pois é o proprietário dos dois matadouros que encerraram no distrito de Bragança". Para este técnico, "o Estado está a criar mais custos, quer para os produtores, quer para a associação, que é obrigada a fazer deslocar um técnico e uma viatura largos quilómetros para proceder à certificação no local de abate", limitado agora ao matadouro de Montalegre, a quase 250 quilómetros de Miranda do Douro.
"Custou tanto a convencer os produtores de que tinham que andar 140 quilómetros para irem abater os animais ao Cachão e agora ainda vão ter que andar mais 100 quilómetros", queixava-se ao PÚBLICO o presidente da Câmara de Miranda do Douro, Manuel Rodrigo, que teme pela ocorrência de protestos por parte dos criadores de gado. O autarca receia também que a qualidade da carne mirandesa possa ser afectada, face à longa distância que os animais terão que percorrer para serem abatidos. E diz "estranhar que o Governo não saiba antecipadamente quais as obras que tem que fazer para manter o matadouro do Cachão em funcionamento", sendo esta unidade de abate propriedade da PEC-Nordeste, empresa cujo principal accionista é o próprio Estado.
Egídio Barbeito, chefe de gabinete do secretário de Estado da Modernização Agrícola e Qualidade Alimentar, Luís Vieira, garantiu à Lusa que se trata de "uma situação provisória" e que "o Estado mantém o compromisso assumido com os produtores do Planalto Mirandês". Segundo explicou, "o motivo do encerramento do matadouro do Cachão prende-se com o facto de as obras que precisa realizar para se adaptar à nova legislação se terem prolongado mais do que o previsto". O mesmo responsável garantiu ainda que as obras em causa - relacionadas com a rede de água quente, a pavimentação e a ligação à rede de esgotos - deverão estar prontas na próxima semana. Mas não é essa a informação que Manuel Rodrigo recebeu dos responsáveis da PEC-Nordeste. "Disseram-me que as obras só estarão prontas dentro de duas a três semanas", precisou.
Última actualização: 23 de Julho de 1999
Responsável: Reis Lima Quarteu