Gravuras rupestres em Miranda do Douro

Descobertas em Palaçoulo

(Artigo publicado no Público,
edição de 14 de Fevereiro de 2000)
Público

Gravuras rupestres de Palaçoulo

Foram recentemente encontradas, em Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, um conjunto de gravuras que, segundo alguns estudiosos, podem ser rupestres. Os achados ainda não foram referenciados pelo Instituto Português de Arqueologia, mas já estão a ser objecto de um estudo aprofundado por parte de um historiador mirandês, Hermínio Bernardo, em colaboração com dois professores da Universidade de Salamanca.

Segundo Hermínio Bernardo, há já algum tempo que tinha sido descoberta uma estação de elevado valor arqueológico em Palaçoulo. "Na sequência dos estudos ali realizados, foi descoberto mais um abrigo sobre rocha, junto do rio, com diversas gravuras", explicou o historiador. Na passada quinta-feira foi feito o levantamento topográfico do local, que, segundo a descrição do historiador, "consiste num grande número de riscos, maioritariamente verticais, mas que se cruzam formando letras, como o X, o Y ou o V".

Hermínio Bernardo deixa claro que quem fez as gravuras não pretendia fazer letras, tratando-se antes de "um código interessante ao qual nós não temos acesso". O historiador não duvida, porém, que este abrigo era um santuário: "Podemos ver diversos símbolos ligados a rituais de fertilidade", adianta.

Na zona do Planalto Mirandês existem outras estações arqueológicas, nomeadamente em Teixeira e Atanor, aldeias vizinhas de Palaçoulo, onde "existe outro tipo de arte, a chamada arte esquemática, provavelmente com 4 mil anos. "Mas os recentes achados representam um tipo de arte desconhecida até agora no planalto mirandês", afirma Bernardo. Os estudiosos ainda não possuem dados que lhes permitam afirmar quantos anos têm as gravuras agora encontradas.

Luís Pereira, arqueólogo da delegação do Instituto Português de Arqueologia de Macedo de Cavaleiros, não duvida que as gravuras encontradas sejam rupestres. Afirma, no entanto, desconhecer a sua existência, adiantando ao Público que "durante a próxima semana técnicos credenciados se vão deslocar ao local para confirmar a sua veracidade". Esta descoberta é também desconhecida no Centro Nacional de Arte Rupestre, mas Martinho Baptista, presidente daquele centro, confirma que "no distrito de Bragança há várias referências de arte rupestre, quase todas publicadas na obra do abade de Baçal".


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Última actualização: 25 de Fevereiro de 2000
Fotografia: Copyright © de Aldeia de Palaçoulo
Autora: Ana Fragoso (Público)
Responsável: Reis Lima Quarteu