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(Artigo publicado no Público, edição de 30 de Maio de 1999) |
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Os presidentes de câmara do distrito de Bragança estão determinados a lutar até ao fim pela construção da nova estrada que vai ligar o Itinerário Principal nº4 (IP4) à cidade espanhola de Puebla de Sanabria, cujo contrato de adjudicação da execução do estudo de viabilidade foi assinado em Bragança. Alheios à controvérsia que a construção da nova via poderá gerar, uma vez que atravessará o Parque Natural de Montesinho, os autarcas entregaram ao presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte (CCRN), Braga da Cruz, um abaixo-assinado a favor deste projecto.
"[A nova via] tem que ser executada o mais rapidamente possível. Para nós, esta obra não é uma questão de luxo, apostamos nela sem hesitação. Por isso, não gostaríamos que a JAE [Junta Autónoma de Estradas] visse este estudo [de viabilidade] como uma forma de entreter a região e os ambientalistas", sublinhou o social-democrata Jorge Nunes, presidente da Câmara de Bragança, ao entregar o documento ao responsável da CCRN.
O facto de a nova via atravessar o Parque Natural de Montesinho não é, para Jorge Nunes, um factor de inviabilização do projecto: "O Parque tem que estar ao serviço do desenvolvimento da região e não o pode encravar", justificou. Além das assinaturas dos presidentes de câmara do distrito bragançano, o documento entregue a Braga da Cruz foi assinado pelo líder do executivo camarário de Vila Nova de Foz Côa e pelo responsável do Instituto Politécnico de Bragança.
A favor da obra estão também os alcaides espanhóis dos municípios vizinhos da nova via, que fizeram questão de estar presentes na adjudicação do seu estudo de viabilidade. Convicto dos benefícios da futura estrada, Braga da Cruz considera que a concretização deste projecto será uma "oportunidade" única para a região nordestina. "É uma forma de mobilizar fluxos para Bragança e potenciar oportunidades que não se pode desperdiçar", sublinhou ao PÚBLICO. Na cerimónia de assinatura do contrato, o presidente da CCRN aconselhou, contudo, "prudência" na realização dos estudos de impacte ambiental, no sentido de se acautelarem todos os riscos ambientais da nova ligação.
Com a adjudicação do estudo de viabilidade da via, Braga da Cruz culminou uma visita de dois dias à região nordestina, onde não se cansou de exortar os presidentes de câmara dos quatro concelhos da Terra Fria Transmontana (Bragança, Vinhais, Vimioso e Miranda do Douro) a definirem uma estratégia de desenvolvimento conjunta, bem como a serem "muito selectivos" nos projectos que desejam ver concretizados nos próximos anos. "[A região de] Bragança não está condenada a ser a mais periférica do país", frisou. Mas, numa altura em que se aproxima o terceiro Quadro Comunitário de Apoio (QCA), a "qualidade" tem que ser a palavra de ordem, alertou.
"Para investimentos municipais, o Feder deverá consagrar cerca de seis milhões de contos, o que significa um aumento de quase 30 por cento em relação ao anterior QCA. Ou seja: vamos ter sete anos de muito dinheiro, mas temos que fazer escolhas e ser muito determinados", sublinhou. Só com esta "determinação" a região será capaz de responder positivamente ao grande desafio que lhe é colocado: travar a desertificação e atrair recursos humanos, capazes de gerar riqueza.
Mapa da região de Bragança e Puebla de Sanabria: Copyright © pertencente ao PÚBLICO
Última actualização: 23 de Julho de 1999
Autora: Celeste Pereira (Público)
Responsável: Reis Lima Quarteu