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(Artigo publicado no Mensageiro de Bragança, edição de 3 de Março de 2000) |
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Miranda do Douro inaugurou, no passado dia 25 de Fevereiro, a sede do Parque Natural do Douro Internacional.
A cerimónia teve lugar na Escola EB 2, que cedeu uma sala para o efeito, onde o Governador Civil, Júlio Meirinhos, e o Presidente do Instituto de Conservação da Natureza, Carlos Guerra, inauguraram uma lápide comemorativa.
A ocasião prestou-se para usarem da palavra o Director daquele parque, Domingos Amaro, que aproveitou a ocasião para saudar todas as autoridades envolvidas na preservação e dinamização do Parque do Douro Internacional, nomeadamente a Câmara Municipal, juntas de freguesia, associações de caçadores, associações culturais e colegas espanhóis.
"O menino começa a dar os primeiros passos", disse o Director, para de seguida sublinhar o facto de só ter sido possível a abertura daquela delegação por ter havido o apoio da Escola EB 2 de Miranda.
Maria Claudina, Presidente do Conselho Executivo, prometeu colaborar no projecto educativo da escola, tendo sempre presente a integração do Parque do Douro Internacional.
Por parte da autarquia local usou da palavra o vereador Carção, pelo facto do presidente do município se encontrar no congresso do PSD em Viseu.
"Viver numa área protegida — disse — é precioso". Na perspectiva do vereador Carção, o parque deverá levar a um maior envolvimento e qualidade de vida das suas gentes e fomentar "a comercialização de produtos da terra" e a "promoção do turismo, ambiente e desporto".
Para Carlos Guerra, Presidente do Instituto de Conservação da Natureza, "voltar ao Parque do Douro é um prazer muito grande para mim", disse.
E porquê? Porque Carlos Guerra entende que com a inauguração desta delegação "estamos a dar cumprimento às promessas feitas pelo Primeiro-Ministro, aquando da inauguração da sede do parque em Mogadouro, no dia 31 de Julho de 1998".
Carlos Guerra defendeu o facto de o Douro Internacional corresponder a uma das áreas mais significativas de todo o país.
Por outro lado, considerou ainda o Presidente do Instituto de Conservação da Natureza que o lançamento do turismo de natureza nesta região "fica a constituir um dos melhores projectos-piloto", enquanto as chamadas ecologias terão um espaço especial para "os produtos certificados das áreas protegidas".
O casamento mais desejado
Coube ao Governador Civil, Júlio Meirinhos, encerrar a sessão, o que fez com palavras de reconhecimento à Escola EB 2 por ter cedido as necessárias instalações ao Parque do Douro Internacional, classificando o gesto como o "casamento mais desejado" que se poderia ter.
"Sabiamente, a Presidente do Conselho executivo, Maria Claudina, e o Director do parque, Domingos Amaro, concretizaram da melhor forma este entendimento", sublinhou Júlio Meirinhos, para quem os parques "não se fazem contra ninguém nem para prejudicar ninguém".
Ideia do parque remonta à década de 60
Escrevia Miguel Torga no seu Diário XI, página 19: "Corre caudal sagrado, na dura gratidão dos homens e dos montes". E numa outra passagem do Diário VIII, página 194, Miguel Torga sublinhava ainda: "A minha astenia só tem um remédio: o Douro". E lançando um apelo aos governantes, Miguel Torga escrevia também: "O Douro necessita finalmente de ser olhado pela nação como o seu Olimpo sagrado, o chão bendito que produz a única riqueza de que somos senhores exclusivos: o Porto" (Diário XIII, pag. 106/7).
Tal como Miguel Torga, também nós nos devemos deixar apaixonar pelo Douro, o Douro português e o Douro espanhol, porque ambos são um só. É ibérico, porque nasce na serra de Urbión (Montes Ibéricos), tendo a sua bacia hidrográfica 97 000 Km2, e a situada em Portugal com um comprimento de 21 500 Km, tornando-se o terceiro rio maior da Península Ibérica, com um comprimento de 930 quilómetros. O curso de 850 Km, ao longo de 525 Km em Espanha e de 112 Km em Portugal.
As barragens de Miranda do Douro, Picote e Bemposta, do lado português, e de Aldeadávilla e Saucelle, do lado espanhol, no Douro Internacional, desenvolveram-se a partir de um acordo assinado em 1927.
É nas suas encostas soalheiras, de xisto, desde a Régua a Mazouco (Freixo de Espada à Cinta), que se produz o melhor vinho de que há memória e se colhem as melhores laranjas, as mais doces amêndoas e o melhor azeite.
A ideia da criação do Parque Natural do Douro Internacional vem de longe, remontando à década de 60.
A comissão instaladora foi aprovada em 5 de Junho de 1996, tendo como principal função iniciar o processo que conduziria à declaração de uma área protegida com cerca de 122 Km de extensão, abrangendo quatro concelhos: Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo.
O vale do Parque do Douro Internacional é caracterizado por índices de desenvolvimento económico abaixo da média nacional, e o seu povoamento não vai além de 17 habitantes por km2.
Só de 1970 a 1991, a população dos 4 concelhos decresceu 17 por cento, subindo o índice de envelhecimento para 130 idosos para cada 100 jovens.
Hoje a população da área do parque ronda os 10 mil habitantes, distribuídos por 86 mil hectares.
Por outro lado, a área do Douro Internacional é um dos locais especiais de conservação, a integrar na Rede Natura 2000, já que alberga 20 habitat's naturais de interesse comunitário.
Do ponto de vista faunístico, o PNDI, constitui a área mais importante do País e uma das mais importantes da Europa.
O processo de classificação do parque culminou no dia 30 de Dezembro de 1997, com a aprovação da proposta de Decreto Regulamentar em Conselho de Ministros. A sua publicação ocorreu a 11 de Maio de 1998, através do Dec. Reg. 8/98, e a inauguração da sua sede em Mogadouro, a 31 de Julho do mesmo ano.
Na altura, o Primeiro-Ministro, António Guterres, dizia à população que o aguardava na principal praça daquela vila, ali ao lado do busto de Trindade Coelho: "As áreas naturais não são para defender só os animais e as plantas. São também para criar condições de desenvolvimento às pessoas que habitam as zonas protegidas". E a concluir a sua mensagem adiantava ainda: "O sentimento de preservação da natureza é a melhor defesa das populações contra eventuais acções que possam vir a atentar contra o ambiente".
Última actualização: 6 de Março de 2000
Fotografia: Copyright © de Mensageiro de Bragança
Autor: Inocêncio Pereira (Mensageiro de Bragança)
Responsável: Reis Lima Quarteu