Selo de garantia exige matadouro

"Se isso não acontecer, é a própria denominação de origem que é colocada em causa", diz a Câmara (de Bragança)

(Artigo publicado no Jornal de Notícias,
edição de 10 de Junho de 1999)
Jornal de Notícias

O matadouro de Bragança vai avançar com ou sem apoio do Governo, podendo estar concluído ainda este ano. A decisão foi tomada numa reunião da "Terra Fria Carnes", a sociedade criada para gerir a unidade de abate, que tem um capital social de cinco mil contos, detendo a Câmara Municipal 49% e a Cooperativa Agro-Pecuária Mirandesa, a associação de produtores de Bragança e o agrupamento de produtores da raça churra galega bragançana o restante.

Disponibilidade financeira
Na próxima semana, vão iniciar-se as conversações com a empresa responsável pela construção do matadouro que, ao que tudo indica, poderá avançar dentro de três meses.

Tendo em conta as raças autóctones que estão envolvidas, Jorge Nunes, presidente da Câmara de Bragança, considera que é urgente responder às suas necessidades. "Estas raças precisam, para garantir a denominação de origem e a certificação, de proceder ao abate e à transformação na região. Se isso não acontecer é a própria denominação de origem que é colocada em causa". O matadouro está orçado em 200 mil contos e o autarca garante que a sociedade tem disponibilidade financeira para levar por diante este projecto. De qualquer forma, está confiante que o Governo vai apoiar a sua construção, embora até agora o IFADAP não tenha dado qualquer resposta sobre a candidatura ao financiamento. Enquanto o ex-ministro da Agricultura, Gomes da Silva, garantiu que esse apoio seria atribuído, o actual titular da pasta, Capoulas Santos, referiu, durante a Feira do Fumeiro de Vinhais, que as verbas a disponibilizar estariam dependentes de uma revisão dos programas do Ministério. Esta revisão poderá fazer transitar este projecto para o III Quadro Comunitário de Apoio.

Planalto sem matadouro
Já o secretário de Estado da Qualidade Alimentar e Modernização Agrícola, aquando da sua deslocação à "Carníssima - Festival de Carne", salientou que o projecto do matadouro de Bragança tinha uma sala de desmanche com pouca capacidade, para vir a ser apoiado. Jorge Nunes garante que estas alterações já foram efectuadas.

O autarca bragançano diz que esta unidade não deverá substituir um matadouro no Planalto Mirandês (concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso). "A política dos países europeus é da construção de uma rede de pequenas unidades de abate e penso que esse deve ser o caminho a seguir a região", salientou.

O matadouro de Miranda encerrou no final de mês de Maio e agora os produtores vêm-se forçados a abater os seus animais em Penafiel. É que também a unidade de abate do Complexo Industrial do Cachão fechou, por falta de condições e, embora o secretário de Estado da Qualidade Alimentar a Modernização Agrícola tivesse garantido, numa visita a Bragança, que os animais seriam transportados para o complexo de Mirandela e aí abatidos. No entanto, este encontra-se também de portas encerradas.

Acontece que a carne mirandesa, tendo denominação de origem, não pode ser abatida fora da área de produção, ou seja, dos concelhos de Vinhais, Bragança, Vimioso, Miranda, Mogadouro e Macedo de Cavaleiros.

Abater no matadouro do Cachão seria já ir contra o despacho da União Europeia, que garantiu certificação à carne mirandesa.


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Última actualização: 23 de Julho de 1999
Autora: Patrícia Lopes (Jornal de Notícias)
Responsável: Reis Lima Quarteu