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(Artigo publicado no Jornal de Notícias, edição de 30 de Março de 2000) |
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Águas Vivas, Prado Gatão e Palaçoulo são três aldeias mirandesas, agrupadas na freguesia com o nome da última, onde o excepcional acontece: em mil e 500 habitantes, não há um único desempregado e a tendência é de crescimento populacional.
A tanoaria, a cutelaria e a construção civil ocupam praticamente toda a população activa, incluindo as mulheres, embora numa região de tradições fortemente arreigadas.
"O que marca, aqui, a diferença, é o facto de toda a gente tentar estabelecer-se, em alguma área, por conta própria e acabar por ter sucesso", explicou Manuel Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia de Palaçoulo (JFP) e empresário de tanoaria e construção civil.
Capacidade de iniciativa
Contudo, o segredo do sucesso está, afinal, na boa vizinhança com Espanha, que absorve mais de 90 por cento dos pipos e dos canivetes "made in" Palaçoulo, que fazem concorrência a países como o Brasil, a China, a França e a própria Espanha.
"Em Portugal, só vendemos em zonas turísticas ou perto da fronteira", explicou Silvestre Marques, genro do fundador e responsável pelo departamento de vendas da fábrica de cutelaria Martins.
Diariamente, aquela fábrica, nascida artesanal, com um só homem, há 43 anos, produz cerca de quatro mil peças, de 40 modelos diferentes de lâminas ou garfos, empregando 24 pessoas.
José Teixeira, funcionário da empresa há vinte anos, acredita que é por isso mesmo que Palaçoulo se distingue: "Há iniciativa das pessoas e as actividades, nascidas de forma artesanal, evoluem para coisas maiores".
Fartos da interioridade
Manuel Gonçalves, de 32 anos, lembra-se de, em criança, percorrer, com o pai, todas as aldeias da região e assegura que a visível e lenta agonia tem sido fulminante nos últimos dez anos.
"É fácil de perceber os motivos do êxodo: temos péssimos meios de comunicação, ensino e saúde", queixou-se o presidente da JFP. "Estou farto de ouvir falar na interioridade, quando o que é preciso é promover o investimento na região, para parar a desertificação, e o regresso dos filhos da terra", apontou, acrescentando que, "felizmente, em Palaçoulo, os jovens vão ficando".
Outros, como Rita Ferreira, de 23 anos, natural de Vimioso, que casou, há meio ano, com um jovem de Palaçoulo, acabam por vir para a freguesia, significando mão-de-obra e estimulando, também, a indústria da construção civil.
Turismo "rupestre"
Nessa área, segundo Manuel Gonçalves, ainda há espaço para, além da meia dúzia de empresas existentes, a indústria crescer nos próximos anos.
"Temos 25 casais a querer construir e os lotes todos pedidos. Estamos, entretanto, à espera de resposta ao pedido de apoio que fizemos, à Câmara Municipal de Miranda do Douro, para um grande projecto de loteamento aqui na aldeia", disse Manuel Gonçalves.
O turismo está, ainda, numa fase embrionária, apesar das hordas atraídas pela caça, em época própria. À espera de atenção estão, ainda, os três painéis com inscrições rupestres encontrados recentemente.
Palaçoulo é, afinal, terra de gentes empreendedoras, embora simples e de raízes firmes, onde nem podia dizer outra coisa o cartaz, afixado na associação cultural, que anuncia, como primeiro prémio do campeonato de sueca, um porco com 60 quilos...
Última actualização: 4 de Abril de 2000
Fotografia: Copyright © de Aldeia de Palaçoulo
Autora: Erika Nunes (Jornal de Notícias)
Responsável: Reis Lima Quarteu