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(Artigo publicado no Jornal de Notícias, edição de 17 de Novembro de 1999) |
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O ex-presidente da Câmara de Miranda do Douro, Júlio Meirinhos, tomou, anteontem, posse de facto do cargo de governador civil do Distrito de Bragança, tornando-se no mais jovem a exercer estas funções actualmente no país.
Aos 44 anos, Júlio Meirinhos repete o feito conseguido no início da década de oitenta, quando se tornou no autarca mais jovem do país ao ganhar a Câmara de Miranda do Douro para o PS, com a ajuda "preciosa" de um actual autarca do PSD.
Recordações
Agora, estando em campos partidários diferentes, há cerca de 20 anos, o actual presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, eleito pelo PSD, ajudou a elaborar o programa eleitoral da candidatura socialista que viria a ser aprovado pelos mirandeses, e Júlio Meirinhos fez questão de lembrar este episódio no início das novas funções.
O novo governador civil mostrou-se convicto de que "as transferências de competências anunciadas pelo Governo serão um instrumento importante para a alterar a forma de trabalhar destes organismos".
À frente do Governo Civil disse querer "desassossegar o Distrito de Bragança", chamando a "todos para, de forma coesa, se passar das intenções à acção e alterar o actual estado das coisas".
Não há divergências
"É fundamental não andarem uns para um lado e outros para outro, a gastar energias, sem estarmos todos a fazer aquilo que nos compete", considerou, assegurando que "não há divergências entre o Governo Civil e qualquer responsável institucional deste Distrito".
Júlio Meirinhos referiu-se às relações institucionais quando questionado pelos jornalistas sobre o futuro relacionamento com o adversário político Manuel Rodrigo, actual presidente da Câmara de Miranda do Douro, eleito pelo PSD.
Ambos protagonizaram uma "guerra de palavras e acusações" nas últimas autárquicas, que chegou aos tribunais e que provocou uma ruptura, que vai para além das relações políticas, mas que Júlio Meirinhos desvalorizou, após a cerimónia da tomada de posse, na qual o autarca de Miranda do Douro se fez representar.
Júlio Meirinhos substitui Paz Diaz, o juiz aposentado que, em 1995, aceitou o convite do PS para ser governador civil "só até à regionalização", acreditando que seria o "liquidatário" do cargo, mas a vontade expressa pelos portugueses em referendo obrigou-o a ficar o dobro do tempo que inicialmente pretendia.
Paz Dias despediu-se do cargo da mesma forma espontânea e "apolítica", apesar da sua aproximação ao PS, que marcou as suas intervenções nos últimos quatro anos, dirigindo-se ao conterrâneo Armando Vara, visto que ambos são do mesmo concelho (Vinhais), o primeiro da localidade de Rebordelo e o segundo de Lagarelhos.
"Se algum quartel da GNR ficou por construir (no Distrito de Bragança) foi o de Rebordelo e foi porque não arranjaram terreno", gracejou, referindo-se aos apoios que Armando Vara desbloqueou para a região enquanto secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna no anterior Governo.
Agora nas funções de ministro adjunto do primeiro-ministro, Armando Vara fez questão de estar presente na cerimónia da passagem do testemunho no Governo Civil, por "sentir que tudo o que se passa em Bragança", diz-lhe respeito.
Fotografia: Copyright pertencente ao Mensageiro de Bragança.
Última actualização: 21 de Novembro de 1999
Responsável: Reis Lima Quarteu