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(Artigo publicado no Jornal de Notícias, edição de 19 de Março de 2000) |
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Fornos, no município de Freixo de Espada à Cinta, orgulha-se dos seus 200 palheiros, de ter o maior conjunto de lódãos (árvores que dão uma madeira dura e macia, usada, designadamente, para fazer bengalas) do país e da capela do Divino Senhor, classificada de interesse público.
A salvaguarda destes três motivos integra-se na política do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).
Fornos é uma aldeia cortada pela estrada que, vinda do Planalto Mirandês, desce para o Freixo. Numa inclinação suave, termina numa vasta plataforma sobranceira ao Douro. Aqui se encontra o Carrascalinho, miradouro cujo arranjo está nos planos do PNDI. Naquele planalto, o visitante depara, ainda, com restos de mineração -pequenos fojos por onde se entrava para a exploração subterrânea do volfrâmio, do estanho e do salitre -e ruínas de casas onde se trabalhava o minério.
Lutas
Por tudo isto, projecta-se abrir uma estrada "decente", informou o presidente da Junta, Carlos Alberto Pereira. "Uma das grandes lutas" -diz-nos, ainda, o autarca - é abrir, também, um caminho para o Douro, que torne mais praticável o acesso às hortas, aos laranjais e ao maior conjunto de lódãos do país. Por enquanto, a descida é feita por um trilho estreito e íngreme.
Picão do Mourinho
Dentro programa governamental dos "centros rurais", está adjudicada a construção de uma estrada agrícola e turística, que irá ligar a aldeia ao Picão do Mourinho, onde ficará um miradouro dotado de parque de lazer. Ainda no mesmo programa inserem-se as obras de arranjo do Largo do Senhor da Rua Nova e do logradouro fronteiro à escola.
Um incêndio, há 40 anos, destruiu o colmo de cobertura dos 200 palheiros de Fornos. Por isso, após a sua restauração, passaram a ficar cobertos de telha. Contudo, aquele conjunto de imóveis rurais (onde se albergam animais e alfaias) constitui um património valioso, cuja preservação é um desígnio da Junta e do PNDI.
Restaurar moinhos
Mas também se pretende restaurar os moinhos de água, de que a freguesia já foi fértil (é relevante a actividade cerealífera).
Entretanto, a autarquia já pôs de pé um forno de pão.
O folclore local tem sido activado, nomeadamente, graças à Associação Desportiva e Cultural de Fornos, fundada em 1978 e que conta com quatro centenas de sócios.
Um dos desígnios da instituição consiste em reabilitar as danças e os cantares típicos, com especial realce para o emprego do pandeiro, o seu instrumento tradicional.
Por outro lado, a Junta de Freguesia, com o apoio do PNDI, está a fomentar a formação de uma associação de caça. Os propósitos fundamentais são dois, segundo Carlos Alberto Pereira: disciplinar a actividade venatória e atrair os caçadores.
E é a pensar no turismo que "queremos criar um museu rural ou um restaurante regional" - frisou o presidente da Junta.
Última actualização: 28 de Março de 2000
Fotografia: Copyright © de Jornal de Notícias
Autor: Fernando Seixas (Jornal de Notícias)
Responsável: Reis Lima Quarteu