Credores de fábrica de lacticínios combinam estratégia

(Artigo publicado no Jornal de Notícias,
edição de 8 de Julho de 1999)
Jornal de Notícias

Setenta agricultores dos concelhos de Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso reuniram-se ontem em plenário, em Macedo de Cavaleiros, para acertar a estratégia a defender na audiência da comissão de credores que vai decorrer hoje no tribunal de Vila Flor, no âmbito do processo em que é acusada a fábrica Lacticínios Progresso, por dívidas de mais de um milhão de contos.

Em causa estão, aparentemente, três saídas: o pedido de falência da empresa, a sua viabilização ou uma posição intermédia, por forma a deixar passar algum tempo e a ver se haverá investidores interessados em assumir a gestão da empresa.

Esta última opção foi a escolhida pelos agricultores e, por isso, a que vai ser assumida hoje pelos seus cinco representantes no tribunal de Vila Flor.

Dívidas à banca
Na verdade, o que lhes interessa é que haja empresários interessados em viabilizar a fábrica, desde que a gerência assuma o pagamento das dívidas aos agricultores, expressas em letras, cheques e cadernetas de produção de leite que atingem um valor superior a um milhão de contos.

Neste processo está empenhada também a Federação dos Agricultores de Trás-os-Montes (FAT), com aconselhamento.

Nesta audiência de credores estão também representados o BCP e o BPA, que reclamam, aproximadamente, 112 mil contos, o Banif (50 mil) e a Caixa Central de Crédito Agrícola (30 mil contos).

Como credores surgem, ainda, a Axa Seguros, e a empresa de lacticínios Veiga de Ferreira de Aves SA.

Ao que tudo indica a falência é um processo que também não interessa à banca, que estaria muito mais interessada em que os agricultores ou outras entidades assumissem a viabilização da fábrica.

A empresa, encerrada no ano passado, deixou de pagar aos fornecedores, nomeadamente aos produtores de leite, a partir de Agosto de 1997. Desde então, acumulou dívidas que os agricultores tentaram cobrar litigiosamente.

Situação difícil
Enquanto os processos litigiosos avançaram judicialmente, os produtores de leite tiveram de recorrer a empréstimos bancários para manter as suas unidades produtoras, o que deixou muitos deles em situação económica difícil.

Muitos dos lavradores optaram por vender o leite a outras fábricas da região, nomeadamente a empresas espanholas, que pagam a pronto, o que conduziu a firma de Vila Flor a um processo de agonia lenta. Sem matéria-prima para a produção de queijo, a "Lacticínios Progresso" não pôde satisfazer as encomendas. E as cerca de cinco dezenas de trabalhadores começaram a acumular salários em atraso, até ao encerramento da fábrica.


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Última actualização: 9 de Julho de 1999
Autora: João José Branco (Jornal de Notícias)
Responsável: Reis Lima Quarteu