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(Artigo publicado no Jornal de Notícias, edição de 18 de Março de 2000) |
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O Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) inscreve-se na Rede Natura 2000, uma malha europeia de zonas geográficas de interesse natural. «Exige-se nessas áreas uma maior protecção de determinados "habitats" e espécies», disse-nos o biólogo António Monteiro, do PNDI.
Em Portugal, já foram classificadas mais de 30 áreas. «No futuro, pretende-se que a Rede Natura atinja 20% do território nacional», frisou António Monteiro, que, ainda, acentuou que o apoio das populações é essencial.
Duas zonas
O parque divide-se, primordialmente, em duas zonas distintas, separadas por um vale bastante encaixado, bordejado pelos cerros da zona de Mogadouro.
A norte, encontra-se o Planalto Mirandês, com uma altitude que anda pelos 600 a 700 metros.
A agricultura dominante resume-se, praticamente, aos cereais e à pecuária, que exigem uma constante presença humana.
Riqueza antropológica
Importa salientar a sua riqueza do ponto de vista antropológico, como a língua mirandesa, folclore, roupagens, utensílios e outros aspectos etnográficos únicos.
Por sua vez, a parte meridional, que desce até ao Douro e se estende, depois, pelo município de Figueira de Castelo Rodrigo, insere-se no microclima próprio da Terra Quente.
A sua altitude média não ultrapassa os 120 metros. É a região do amendoal, da oliveira e da vinha (boa parte inscreve-se na região demarcada do Douro), em que não se exige uma presença humana muito permanente.
Diversidade
Não obstante, a diversidade deriva, essencialmente, das condições geoclimáticas: existe uma forte identidade comum, marcada, em termos naturais, pelas altas escarpas das arribas sobranceiras ao Douro, a leste. A oeste, pelo "mosaico" de pequenas leiras e lameiros, de mistura com bosques bravios.
Daí a reivindicação da declaração de reserva natural, tendo em vista acções de preservação da natureza e do fomento de condições de fixação humana.
Ordenamento
O PNDI está a trabalhar no seu plano de ordenamento, que será o "argumento" para um apetrechamento mais condizente com a satisfação das necessidades da segunda maior área protegida do país. Segundo o director, Domingos Amaro, aquele documento «estará pronto, no máximo, dentro de dois anos».
O PNDI é gerido por uma comissão directiva, presidida pelo director, e constituída, ainda, por dois vogais: um deles, nomeado pelo Instituto de Conservação da Natureza e o outro pelas câmaras municipais.
O PNDI está sediado em Mogadouro - onde, além do director, Domingos Alfredo Fernandes Amaro, dispõe de três biólogos, um vigilante da natureza e três administrativos. Entretanto, vão sendo instaladas delegações em cada um dos outros municípios.
A fauna
O orçamento em vigor (do ano passado) soma 120 mil contos (atribuídos, em partes iguais, pelo Estado e pela União Europeia), segundo nos informou Domingos Amaro».
Uma das actividades a que o PNDI já meteu ombros é a respeitante à fauna: a sua inventariação e a procura de formas de preservação. Estão neste caso, por exemplo, aves raras que, habitualmente, fazem o ninho nas rochas (cegonha preta, abutre do Egipto, grifo, águia real, águia de Bonelli, falcão peregrino, gralha de bico vermelho e chasco preto) assim como o lobo, o gato bravo e o javali. «O Douro é um corredor ecológico», afirmou, a propósito, o biólogo António Monteiro.
A flora
Por sua vez, também a flora merece atenção do PNDI, com destaque para o carvalho negral, o carvalho, a azinheira, o zimbro e o sobreiro.
Mas nem só de seres selvagens "vivem" as preocupações do PNDI: «Também apostamos nas raças domésticas autóctones».
É o que acontece com a vaca mirandesa, as ovelhas churras, a cabra serrana, assim como com os cães de gado e o burro.
Última actualização: 31 de Janeiro de 2001
Fotografia: Copyright © de Picote - Uma Aldeia do Planalto Mirandês
Responsável: Reis Lima Quarteu