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(Artigo publicado no Diário de Notícias, edição de 1 de Novembro de 1999) |
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Uma associação portuguesa e quatro espanholas estão a desenvolver um projecto que visa introduzir o pombo nos hábitos alimentares dos transmontanos e criar mais um pólo de atracção turística.
A Corane - Associação para o Desenvolvimento da Terra Fria está a trabalhar em conjunto com quatro congéneres espanholas das zonas de Alcañices, Valladolid e Palencia neste projecto de repovoamento dos pombais na zona fronteiriça, financiado pela Comunidade Europeia através do programa Leader II.
As cinco associações vão cooperar no sentido de convencerem os agricultores a recuperar os antigos pombais que se encontram abandonados e em adiantado estado de degradação, prestando-lhes apoio técnico e financeiro.
Outrora, estes foram uma importante fonte de rendimento para os agricultores, que criavam os animais para venda, visto serem muito procurados para os torneios de tiro ao pombo, servindo também para consumo próprio. "Os torneios passaram a ser proibidos e os pombos deixaram de ser uma fonte de rendimento, o que motivou o abandono dos pombais e a sua degradação, que se tem acentuado desde há uma década", explicou à Agência Lusa Rui Caseiro, da Corane.
O panorama é idêntico em toda a zona fronteiriça envolvida neste projecto, com a excepção da região de Valladolid, onde o pombo é uma forte fonte de rendimento, sendo um dos pratos gastronómicos favoritos dos espanhóis. Ajudar a abastecer o mercado espanhol é a expectativa da Corane para a fase inicial do projecto na sua área de intervenção, que abrange os concelhos de Bragança, Vinhais, Miranda do Douro e Vimioso. Posteriormente, pretendem avançar com acções de sensibilização junto dos restaurantes da região para que incluam o pombo nas suas ementas, acreditando que "será criado um rendimento acrescido para os agricultores da região".
O projecto tem também uma vertente turística que visa a criação de um roteiro internacional comum às cinco associações pelos pombais de toda esta região.
Segundo Rui Caseiro, "este trabalho deve estar concluído antes do final do ano, avançando-se depois para a execução do projecto, o que deverá ocorrer nos próximos dois anos, com uma comparticipação financeira da União Europeia que deverá rondar os 50 mil contos na totalidade".
Este responsável recordou que "na região portuguesa está já a avançar há algum tempo aquele que pode ser considerado o "projecto-piloto" desta ideia e que é o programa de recuperação dos pombais em curso no Parque Natural do Douro Internacional, "que abrangeu já 32 pombais e cuja colaboração é também indispensável".
Última actualização: 1 de Novembro de 1999
Responsável: Reis Lima Quarteu