Portugueses e espanhóis temem lixeira nuclear

Convénio das águas está a ser contestado. Políticos espanhóis já se manifestaram contra "cemitério" no Douro internacional.

(Artigo publicado no Diário de Notícias,
edição de 14 de Julho de 1999)
Diário de Notícias

Os ambientalistas portugueses e espanhóis temem que o Convénio das Águas assinado pelos governos dos dois países tenha "aberto caminho para a instalação de uma lixeira nuclear na bacia do Douro internacional".

"Os receios dos ambientalistas surgiram depois de denúncias feitas pelo PSOE na imprensa espanhola, que dão conta de que existe um anexo no Convénio das Águas que permitirá a instalação de resíduos nas bacias dos rios comuns", explicou à Agência Lusa Carlos Jaime Lopes, da Coordenadora Anti-Nuclear do Baixo Douro, que congrega ambientalistas portugueses e espanhóis.

Notícias publicadas em Junho, no jornal de Salamanca "La Gazeta" referiam que "o PSOE reconhece que o Convénio das Águas autoriza a instalação do cemitério nuclear", fazendo alusão ao "axeno II do acordo, que permite a instalação de resíduos, incluindo produtos perigosos".

Os artigos publicados adiantam que "o deputado do PSOE, Jesus Caldera, apresentará um documento às cortes espanholas onde pede a revogação do convénio e a eliminação da referência às instalações para armazenamento de produtos perigosos, incluindo radioactivos, nas bacias dos rios, no anexo II".

Também o presidente da Junta de Castela e Leão, eleito pelo PP, garante que "nunca permitirá a instalação de um cemitério nuclear na comunidade".

Segundo Carlos Jaime Lopes, "o que está agora em causa já não é só Aldeadávila, o local escolhido inicialmente para a instalação da lixeira nuclear, mas toda a bacia do Douro internacional nas zonas de Salamanca e Zamora".


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Última actualização: 16 de Julho de 1999
Responsável: Reis Lima Quarteu