Gastronomia da região desafia dietas

Pratos para todos os gostos e dos mais diversos feitios podem ser encontrados no Douro

(Artigo publicado no Diário de Notícias,
edição de 2 de Novembro de 1999)
Diário de Notícias

Diz o povo da região duriense: "Já que vivos estamos, comamos e bebamos. Que assim seja."

Por todo este Douro Internacional não chegou ainda a onda da cozinha francesa e o fast-food. Talvez porque a gastronomia da região tem margem para a defesa e sobretudo para o ataque. Por aqui, os paladares são sóbrios e de forte identidade regional.

Quando se fala de comeres, por aqui se diz que "das sopas faz-se jantares quando a fome apertava; do porco só não se aproveitam os grunhidos; das hortas agradece-se a gratidão das frutas e legumes; na adega faz-se caretas à água; no monte, nas arribas ou no planalto caça-se para proteger a colheita e alegrar o prato".

O visitante que quer conhecer a região tem de esquecer a dieta. No sul do parque, em Barca de Alva, a delícia são os bolos de Escalhão, preparados com massa fingida, ovos, açúcar e muito azeite. Por Carviçais, o rei é o cozido à transmontana (antigamente o cozido de cristão-velho) com salada de azedas e meruges.

Junto à foz do Sabor, é altura de meter o dente em peixes do rio adubados com erva-peixeira (assados, fritos, de escabeche ou em sopas). Em Freixo de Espada à Cinta, vem a "laranja azeda", os espigos (grelos de couve ou de nabo), o bacalhau à espanhola e o bacalhau constipado ou os grelos guisados com o bucho recheado (gaiteiro), as bochas, os bocheiros ou os chouriços de ossos, rematados com uns folaricos.

Falta ainda meter na lista as cascas ou palhadas, que são vagens de feijão-verde depois de cozinhadas e que casam bem com um bom butelo, enchido especial da zona transmontana. Também se não deve negar uma fritada de tordos ou uma sertã com "borrachos" das vindimas.

António Monteiro, técnico do parque natural e excelente gastrónomo que nos aponta estas preciosidades da mesa, diz que a posta mirandesa é o manjar dos deuses olímpicos. Em Mogadouro, é obrigatório "O Braseiro", onde o chefe grelha a posta mesmo nas barbas da gente. Acrescentam-se ainda as torradas de unto ou de mel e as sopas de pão.


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Última actualização: 2 de Novembro de 1999
Responsável: Reis Lima Quarteu