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(Artigo publicado no Diário de Notícias, edição de 2 de Novembro de 1999) |
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A recuperação dos pombais típicos de Trás-os-Montes, feita com o apoio do Parque Natural do Douro Internacional, com um programa dirigido por António Monteiro, já mereceu o Prémio Nacional de Conservação do Ambiente Henry Ford e representou Portugal no prémio europeu, onde mereceu menção honrosa.
Os pombais transmontanos eram uma fonte de riqueza, pois além de se conseguir uma saborosa carne para a alimentação, tinha a vantagem de produzir estrume de qualidade. Cilíndricos, brancos e de telhado encarnado, são o contraponto da paisagem. Existem aos milhares, mas quase todos estavam desactivados ou degradados. Os conservacionistas imaginavam como seria possível alimentar naturalmente as diversas aves de rapina da região. Nada melhor do que haver pombos... para serem comidos.
No entanto, os técnicos do parque sabem que não é possível fazer um programa deste tipo que não tenha duas vertentes: aceitação popular e benefícios económicos para ela. Por isso, equacionou-se o apoio, para uma parte dos donos dos pombais, mediante uma inscrição. Responderam algumas dezenas. O êxito foi avançando. Pensa-se já em exportar o estrume dos pombos para a Holanda. Os aderentes à recuperação têm vindo a aumentar.
A recuperação dos pombais e a criação dos pombos - também destinados ao consumo humano - irá conseguir alimentar os rapaces para estes se fixarem na região e reproduzirem.
Entretanto, uma associação portuguesa e quatro espanholas estão a desenvolver um projecto de introdução do pombo na dieta alimentar. A Corane - Associação para o Desenvolvimento da Terra Fria - está a trabalhar com quatro congéneres espanholas de Valladolid, Palencia e Alcañices no projecto de repovoamento dos pombais da zona da fronteira. O programa é apoiado pela UE.
Em tempos não muito recuados os pombais forneciam pombos para alimentação e aves para concurso de tiro. Mas foi um mercado que praticamente acabou. Do outro lado da fronteira, o panorama era o mesmo, com excepção de Valladolid, onde o pombo é um dos pratos favoritos e a sua criação é rentável. Naquela cidade espanhola, os pombais chegam a ter capacidade para três a quatro mil pombos. Como a produção espanhola já não consegue satisfazer o mercado, a Corane passa a participar. Em Portugal, estarão empenhados os concelhos de Miranda do Douro, Bragança, Vinhais e Vimioso. Simultaneamente serão feitas acções de sensibilização para incluir o pombo nas ementas.
Fotografia: Copyright © do Diário de Notícias.
Última actualização: 2 de Novembro de 1999
Responsável: Reis Lima Quarteu