Vestígios arqueológicos alvo de estudo

Levantamento está a ser feito por três especialistas

(Artigo publicado n'O Comércio do Porto,
edição de 12 de Março de 2000)
O Comércio do Porto

Gravuras rupestres de Palaçoulo, Miranda do Douro

A delegação de Trás-os-Montes do Instituto Português de Arqueologia (IPA) está a fazer um levantamento dos vestígios arqueológicos da região com vista a uma inventaraição dos achados, disse fonte daquele organismo.

O IPA tem sob sua tutela o património não classificado, que corresponde a 90 por cento do existente em todo o país, e abriu, há cerca de um ano, uma delegação em Trás-os-Montes, sediada em Macedo de Cavaleiros.

Fazer uma inventariação e criar uma base de dados sobre todos os achados existentes na região transmontana é a tarefa inicial dos três arqueólogos que se encontram neste serviço.

"Este trabalho vai demorar alguns anos e a finalidade é termos uma noção daquilo que existe na região e fazer a sua localização na carta militar de Portugal", disse o arqueólogo Luís Pereira, acrescentando que "só depois será possível definir que tipo de intervenções serão necessárias".

Ao IPA compete decidir se os achados merecem ou não um estudo aprofundado ou apenas um acompanhamento no terreno para impedir a sua deterioração ou ainda, caso se justifique, propor a classificação dos achados a património nacional.

Quando classificado, o património passa para a responsabilidade do Instituto Português do Património Arqueológico.

Aos vestígios já conhecidos na região, juntam-se agora uma série de "unhadas do diabo", descobertas por um professor de História na zona de Miranda do Douro, e que já mereceram a atenção do IPA.

"Trata-se de arte rupestre, muito mais recente do que as gravuras do Côa, com cerca de 3.000 ou 4.000 anos, e que abunda na zona do Planalto Mirandês, nomeadamente nos concelhos de Miranda do Douro e Mogadouro, e também na zona de Torre de Moncorvo", explicou o arqueólogo.

Sobre estes vestígios, sabe-se apenas que aparecem em abrigos junto a cursos de água e não têm um significado definido, visto que estas inscrições em rochas são apenas "riscos" que não representam qualquer figura, referiu.

Segundo o arqueólogo, só com escavações no local seria possível precisar mais dados sobre estes achados, mas o IPA não vai fazer de imediato qualquer intervenção ou estudo dos locais por não se tratar de "achados excepcionais".


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Última actualização: 12 de Março de 2000
Fotografia: Copyright © de Aldeia de Palaçoulo
Responsável: Reis Lima Quarteu