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(Artigo publicado n'O Comércio do Porto, edição de 21 de Janeiro de 2000) |
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O Itinerário Complementar 5 (IC5), que servirá o nordeste transmontano, está "encravado" na Secretaria de Estado das Obras Públicas, à espera de uma decisão para avançar. A acusação partiu de um grupo de autarcas da região cujos concelhos seriam benficiados com esta via. De resto, os presidentes de Câmara deslocaram-se em conjunto, anteontem e pela segunda vez, a Lisboa, mas não obtiveram do secretário de Estado das Obras Públicas, Luís Parreirão, qualquer garantia quanto ao início das obras.
Em causa está a alteração do local de início do trajecto pretendida pelos autarcas, que acrescenta cinco milhões de contos (25 milhões de euros) ao projecto inicial. "O secretário de Estado informou-nos que ainda não foi tomada qualquer decisão sobre o assunto, tal como já nos foi dito pelo antecessor, há cerca de seis meses", revelou Eugénio de Castro, presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães.
O autarca deslocou-se a Lisboa acompanhado pelos seus homólogos de Vila Flor, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Mogadouro, Vila Nova de Foz Côa e Alijó. "Está tudo na mesma. O secretário de Estado disse que necessita de elementos, nomeadamente sobre custos, para tomar uma decisão, justificando este atraso com o facto de ter assumido o cargo ainda há pouco tempo", afirmou o autarca.
Os presidentes das sete Câmaras manifestaram-se, contudo, confiantes em que "o estudo da elaboração do projecto avançará ainda este ano, havendo já dinheiro orçamentado para o efeito".
A solução inicial apontava para que este itinerário tivesse início em Franco, no concelho de Mirandela, com ligação ao IP4, e se prolongasse até Alfândega da Fé, seguindo posteriormente até Miranda do Douro, na fronteira, com um percurso que serviria os concelhos de Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alfândega da Fé, Mogadouro e Miranda do Douro.
Os autarcas da área preferiam que o itinerário se iniciasse em Pópulo, servindo assim parte do distrito de Vila Real.
"Esta solução aumenta em mais cinco milhões de contos o custo da obra e isso é que está em ponderação", afirmou o autarca. O impasse que persiste sobre a localização do traçado tem atrasado as decisões governamentais sobre a execução desta via, que as autarquias exigem há vários anos e consideram "fundamental para desencravar o sul do distrito de Bragança".
Independentemente dos custos acrescidos, a solução do início em Pópulo é a defendida pelos autarcas locais, que não admitem sequer a hipótese de "o Governo decidir contra a vontade unânime", tendo obtido a garantia do secretário de Estado de que serão ouvidos" antes de ser tomada uma opção".
Esta vontade não conta, no entanto, com o apoio do presidente da Câmara de Murça, defensor da localização em Franco, no concelho que dirige. O grupo de autarcas recusou-se a comentar esta posição, sublinhando que "outros presidentes de Câmara que beneficiarão indirectamente deste itinerário já se juntaram a esta luta".
Última actualização: 24 de Janeiro de 2000
Responsável: Reis Lima Quarteu