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(Artigo publicado n'O Comércio do Porto, edição de 1 de Novembro de 1999) |
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O Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) quer transformar a apanha de cogumelos num negócio rendível incentivando a criação da espécie "trufa branca" que pode atingir 40 contos o quilo.
O PNDI está já a desenvolver um projecto de três anos, visando regulamentar a exploração do cogumelo e sensibilizar os habitantes da área protegida para as vantagens económicas e ambientais. No âmbito deste projecto, vai proceder-se à inseminação de cogumelos em diversas zonas do PNDI, cuja evolução será acompanhada por técnicos especializados, que terão também como tarefa sensibilizar as pessoas para uma actuação correcta na exploração do cogumelo.
As inserninações vão ser feitas junto de castanheiros, sobreiros, carrascos ou azinheiras, pinhal e carvalhos, onde normalmente se desenvolvem os fungos, tendo sido escolhida para a experiência o cogumelo vulgarmente conhecido pela "trufa branca".
O preço do quilo desta espécie chega a atingir os 40 contos, pretendendo-se com isto tornar o projecto mais aliciante para as pessoas que, no futuro, poderão beneficiar da sua rendibilidade.
Se a experiência resultar, a produção será entregue à exploração privada. "O objectivo é mudar a mentalidade das pessoas, já que há a ideia de que, por nascerem espontaneamente, os cogumelos não são de ninguém, mesmo estando em propriedade privada", comentou Domingos Amaro, director do parque.
Na opinião deste responsável, "se os proprietários dos terrenos começarem a ver este recurso natural como uma mais-valia para a agricultura, vão assumir uma nova postura, que será também benéfica a nível ambiental". "A apanha desenfreada tem sido constante, não se respeitando absolutamente nada e pondo em causa a própria produção e o ecossistema, pois estes fungos fazem falta às outras plantas", afirmou Noel Marcos, um dos responsáveis pelo projecto do PNDI.
De acordo com o técnico, "um dos exemplos das implicações negativas é a forma como as pessoas colhem o cogumelo, arrancando a parte do fungo que se reproduz".
A principal parceira do parque no projecto é a recém-criada Associação Micológica de Mogadouro "A Pantorra", constituída por especialistas da área, e que adoptou o nome pelo qual é vulgarmente conhecida uma espécie de cogumelo da família científica das morchellas, um cogumelo delicioso para saborear, mas não serve para "empanturrar".
Na opinião do presidente da associação, Xavier Martins, "importante também é fazer respeitar o conceito da propriedade privada. Quando a apanha é feita para comercialização, deve fazer-se como em Espanha, em que os interessados celebram contratos com os proprietários dos terrenos para procederem à recolha, pagando para o efeito uma renda", explicou, salientando ainda que "em Portugal a situação é mais complicada porque não existe qualquer legislação sobre o assunto".
O cogumelo prolifera na região transmontana, nomeadamente na área do parque que abrange os concelhos de Mogadouro, Miranda do Douro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo.
Nos últimos anos, muitas famílias da região encontraram neste recurso natural a sua subsistência, aliciadas por comerciantes espanhóis e franceses, sendo estes a comercializar o produto. Para inverter esta situação, nasceu o projecto do PNDI, cuja primeira acção prática arrancou sábado com a realização do "Encontro Micológico", em Mogadouro, aberto às gentes locais envolvidas na recolha e comerciazação dos cogumelos.
Cerca de 90 participantes trocaram experiências e ideias e abordaram diversas questões ligadas à conservação deste recurso, com especialistas da ciência que estuda os cogumelos nacionais e estrangeiros. Ao longo do dia houve saídas ao campo para colheitas de cogumelos em oito percursos, acompanhadas por técnicos especializados. Das recolhas foram expostas ao público alguns exemplares que, depois de secos, servirão para elaborar um herbário micológico.
Fotografia: Copyright © d'O Comércio do Porto.
Última actualização: 3 de Novembro de 1999
Responsável: Reis Lima Quarteu