Bispo retira privilégios a Miranda do Douro

D. António Rafael concentra comemorações jubilares na sé da capital do distrito

(Artigo publicado n'O Comércio do Porto,
edição de 26 de Janeiro de 2000)
O Comércio do Porto

A Sé Catedral de Miranda do Douro

Os mirandeses não querem que as comemorações jubilares sejam concentradas em Bragança após a inauguração da nova Sé Catedral, agendada para o próximo dia 22 de Agosto. Até à data, a Sé Catedral de Bragança e a antiga Sé de Miranda do Douro, elevada à categoria de Concatedral em 1997, são os únicos templos da diocese onde se realizam as comemorações que assinalam o Jubileu do ano 2000.

A partir de 22 de Agosto este estatuto só poderá ser concedido à nova catedral de Bragança, uma situação que não agrada muito ao Presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Manuel Rodrigo. "Ainda não tenho conhecimento de nada, mas penso que, se Miranda do Douro tem o estatuto de Concatedral, as creimónias jubilares também devem realizar-se em Miranda do Douro, tanto mais que o bispo é de Bragança e Miranda", sustenta o autarca.

Manuel Rodrigo afasta, no entanto, a repetição de protestos semelhantes aos que ocorreram há três anos, quando o núncio apostólico se deslocou a Miranda do Douro para conferir à antiga Sé de Miranda do Douro o estatuto de Concatedral. Habituados ao título de Catedral, perdido com a transferência do bispado para Bragança, os mirandeses não gostaram da alteração, tendo ameaçado D. António Rafael de não contribuir financeiramente para a construção da Catedral de Bragança.

Contactado pelo Comércio, o pároco de Miranda do Douro, Paulo Pires, garantiu que o bispo de Bragança-Miranda, D. António Rafael, ainda não lhe transmitiu qualquer informação acerca da concentração das cerimónias em Bragança. Para já, o sacerdote prefere não fazer comentários, mas dá a entender que não está de acordo com a decisão do prelado. "Se as cerimónias forem concentradas em Bragança eu não posso dizer nada de positivo, mas também não tenho nada que concordar porque o bispo é que decide", afirmou o clérigo, acrescentando que vai encetar conversações com D. António Rafael, "para que tudo se resolva pelo melhor".

Pouca gente na Igreja
José Francisco Fernandes, um mirandês contactado pelo Comércio, disse já ter participado em em duas cerimónias jubilares que decorreram na Concatedral de Miranda do Douro, embora "com pouca adesão por parte dos fiéis", lamenta. "O concelho está alheio ao Jubileu", lamenta o mirandês. De qualquer forma, o popular considera que as comemorações jubilares não devem ser um exclusivo da cidade de Bragança. "Se Miranda do Douro tem a categoria de Concatedral deve ter os mesmos privilégios e usar das mesmas prorrogativas", defende José Fernandes.

Fonte do clero diocesano, que prefere manter o anonimato, também não concorda com a decisão de D. António Rafael. "Não é correcto, porque se Miranda do Douro é Concatedral, não pode ficar de fora das comemorações, sobretudo a partir de Agosto, em que começam os momentos mais significativos do Jubileu".


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Última actualização: 31 de Março de 2000
Fotografia: Copyright © de Braganç@Net
Autor: João Campos (O Comércio do Porto)
Responsável: Reis Lima Quarteu