|
(Artigo publicado n'O Comércio do Porto, edição de 30 de Janeiro de 2000) |
|
Os agrupamentos escolares vão avançar em seis concelhos do distrito de Bragança já a partir do próximo ano lectivo. A garantia foi dada anteontem, em conferência de imprensa, pelo coordenador do Centro de Área Educativa (CAE) de Bragança, Fernando Calado.
Numa fase inicial, apenas os serviços administrativos e os meios logísticos serão concentrados, já que os alunos dos concelhos de Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Macedo de Cavaleiros, Vimioso e Vinhais continuarão a ter aulas nas escolas primárias que frequentam actualmente. O agrupamento dos serviços administrativos é visto, no entanto, como um primeiro passo para a criação de centros escolares no distrito, tal como reconhece Fernando Calado. "A finalidade é a concentração do ensino, só que o encerramento de uma escola é visto como o início da morte de uma aldeia, de modo que as populações são muito resistentes à criação de centros escoalres", admite o responsável.
Apesar da oposição das populações, o número de crianças que frequentam os jardins de infância do distrito e as escolas do 1º ciclo fala por si. Segundo dados do CAE de Bragança, existem 110 infantários para 1.590 crianças e seis mil alunos para 478 escolas primárias, onde o ensino é assegurado por 900 professores. Ou seja, cada infantário é frequentado, em média, por 13 crianças e cada estabelecimento do primeiro ciclo conta com uma taxa de frequência de 12 alunos. Fazendo as contas, o rácio aluno/docente é de um professor por cada seis crianças.
Muitas escolas para poucos alunos
O coordenador do CAE considera que existem "muitos estabelecimentos para poucas crianças", uma situação que o leva a defender os agrupamentos escoalres. "É sempre com mágoa que se encerra uma escola, mas não é possível socializar uma criança num estabelecimento onde existe um aluno ou onde existem poucas crianças da mesma idade", sustenta o responsável.
Apesar da criação de centros escolares ser vista como uma solução para pôr fim ao isolamento de algumas escolas, as características do distrito de Bragança podem criar alguns obstáculos à aplicação desta medida. "A filosofia do agrupamento é assegurar que o aluno não gaste mais de trinta minutos de viagem até ao centro escolar, o que é difícil no nosso distrito", reconhece Fernando Calado.
Dos nove agrupamentos escolares que serão criados no distrito a partir do próximo ano, sete serão agrupamentos verticais, ou seja, ficarão ancorados numa escola EB 2/3. Para além dos sete agrupamentos verticais, serão criados dois agrupamentos horizontais nos concelhos de Vinhais, Miranda do Douro e Macedo de Cavaleiros, que terão uma sede e serviços próprios sem necessitarem de apoio de uma EB 2/3.
De acordo com o coordenador do CAE de Bragança, a criação de agrupamentos escolares em seis concelhos do distrito "resulta de diversas reuniões com pais, autarquias e agentes escolares". Na conferência de imprensa de anteontem, o responsável revelou também que as negociações para a criação de organismos semelhantes nos restantes municípios "deverão avançar ainda durante este ano".
Placas cerâmicas para evitar o frio
Fernando Calado revelou também que algumas escolas do distrito de Bragança vão resolver o problema da falta de aquecimento com a instalação de placas cerâmicas.
"É uma solução pouco dispendiosa porque as placas ficam ligadas durante a noite e de dia são desligadas, mas mantém a temperatura", acrescentou o corrdenador do CAE.
De acordo com este responsável, "no distrito de Bragança serão executadas as obras necessárias nos estabelecimentos de ensino, nomeadamente nas EB2 de Mirandela, Miranda do Douro e Paulo Quintela [em Bragança]".
(...)
Última actualização: 31 de Janeiro de 2000
Autor: João Campos (O Comércio do Porto)
Responsável: Reis Lima Quarteu