Santulhão só tem um guarda que não pode sair do posto

GNR funciona das 9 às 17 horas. Em caso de ocorrências tem de pedir reforços a Argoselo

(Artigo publicado no Jornal de Notícias,
edição de 5 de Julho de 2001)
Jornal de Notícias

Igreja paroquial de Santulhão

A população de Santulhão, em Vimioso, reclama maior protecção policial. O actual posto da GNR funciona apenas em horário de expediente (das 9 às 17 horas) e conta unicamente com um efectivo. Resultado: se houver alguma situação que exija intervenção das autoridades, mesmo que aconteça a poucos metros de distância do posto, as pessoas terão de esperar pela chegada dos guardas que se encontram afectos à vila vizinha.

A situação torna-se mais grave se atendermos ao facto da mesma aldeia já ter tido um posto com mais de uma dezena de efectivos.

Refira-se ainda que os guardas que prestam serviço em Santulhão trabalham em regime de rotatividade e pertencem ao posto da GNR de Argoselo - unidade que dispõem de 18 efectivos.

Abaixo-assinado
A Junta de Freguesia está a preparar um abaixo-assinado, que deverá circular pela aldeia, e onde se reclama a reabertura da antiga unidade da GNR - pelo menos com a dimensão da extinta.

Na memória dos habitantes de Santulhão ainda está bem presente a madrugada de 19 de Junho, quando a explosão de seis engenhos artesanais provocou o medo e o pânico nos habitantes. Um abrigo para autocarros ficou completamente destruído.

É de salientar também que as explosões ocorreram a cerca de 40 metros do edifico onde funciona a GNR local. "Se houvesse patrulhamento nocturno, nada disto teria acontecido", dizem os moradores, visivelmente revoltados.

Em declarações ao JN, António Padrão, presidente da Junta de Freguesia, vai mais longe nas críticas: "Um homem é pouco para poder garantir a segurança da aldeia. Além disso, ele só faz o registo das situações. Não pode abandonar o posto, nem deslocar-se a uma eventual ocorrência. E o tempo que demora a chegada de reforços por vezes não é compatível com a urgência dos casos. Tal como aconteceu na noite dos rebentamentos", afirmou o autarca.

O presidente da Junta de Freguesia garantiu ainda ter já promovido diversas diligências, no sentido do posto funcionar pelo menos com mais dois guardas.

"Poderia dissuadir algumas situações. Mas até hoje não obtivémos resposta às nossas reivindicações", acrescentou.

Falta de condições
O posto não tem condições físicas para a permanência de mais homens. A Junta de Santulhão diz-se disposta a recuperar o imóvel e a criar condições para o seu funcionamento. "Mas com garantias. Caso contrário, não faz sentido", salientou.

Contactado pelo JN, o tenente-coronel Aquilino Ala, comandante do Grupo Territorial da GNR de Bragança, afirmou que a decisão de encerrar estes postos não partiu da instituição. Tratou-se, diz, de uma decisão política. O envelhecimento dos quadros, também preocupa o oficial que reconhece haver uma diminuição do número de agentes.


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Última actualização: 6 de Outubro de 2001
Autor: Francisco Pinto (Jornal de Notícias)
Fotografia: Copyright © de Freguesia de Santulhão
Responsável: Reis Lima Quarteu