Associação disposta a proteger os burros

Grupo de criadores e proprietários apresentam soluções para evitar extinção destes animais

(Artigo publicado no Jornal de Notícias,
edição de 3 de Julho de 2001)
Jornal de Notícias

Sr. Mário e os seus burros em frente à igreja de Picote

A protecção de burros está na base da Associação para o Estudo e Protecção de Gado Asinino (AEPGA), agora criada em Sendim, Miranda do Douro. Trata-se de um grupo de simpatizantes, criadores e proprietários destes animais, muito acarinhados num passado recente e agora condenados à extinção se nada for feito.

A AEPGA tem por objectivo a realização de estudos, pesquisas, divulgação e promoção do gado asinino com vista ao apuramento de uma raça autóctone dentro da chamada "Terra de Miranda" em pleno Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).

Os burros foram sempre considerados os parentes pobres dos equídeos e das raças autóctones em Portugal e agora, para associação, é urgente dar mais apoio à preservação de "um animal dócil de fácil trato", considerado como "um todo o terreno das gentes das arribas do Douro" que, devido as suas características morfológicas, só de burro podem deslocar-se.

O animal é também utilizado como elemento de tracção, numa agricultura praticamente de subsistência naquela região e onde os produtos agrícolas, perante os índices baixos de poluição, são ainda apreciados pela sua qualidade.

Para os elementos da associação, os burros poderão ter, ainda, um papel importante na recuperação de crianças deficientes por se tratarem de animas mais calmos em relação aos cavalos, mais nervosos para esta terapia.

Leite exportado
Quanto às fêmeas, as qualidades organolépticas do seu leite, baixo em gorduras, é um bom alimento. Daí, o litro atingir valores elevados, sendo exportado nomeadamente para França afim de ser utilizado na indústria de cosmética. Nesta região da Europa começa a ser comum ter um burro como animal de estimação ou velos em jardins zoológicos devido ao perigo de desaparecimento da espécie.

A colectividade agora criada tem em mente a criação de percursos turísticos em plena área protegida do PNDI, por considerem os burros bem adaptados às condições.

Outros dos pontos defendidos é a criação de uma reserva de reprodutores que circulem pela região e que permitam o apuramento da raça autóctone, mantendo, dentro do possível, sempre as mesmas características.

De acordo com António Monteiro, biólogo e criador a classificação desta raça, será sempre uma mais valia para os proprietários. Programada está já a descida da região do Douro Internacional utilizando o burro como único meio de transporte. A ideia é chamar a atenção das populações para criação e dos operadores turísticos para verem as suas potencialidades em termos lúdicos e de locomoção.


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Última actualização: 6 de Outubro de 2001
Autor: Francisco Pinto (Jornal de Notícias)
Fotografia: Copyright © de Público
Responsável: Reis Lima Quarteu