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(Artigo publicado no
Jornal Nordeste,
edição de 19 de Junho de 2001) |
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Mais de 120 pessoas, principalmente jovens, foram vítimas das ratoeiras da Estrada Nacional 221 (EN 221) nos últimos três anos, num total de 217 acidentes de viação. O troço problemático liga Mogadouro a Miranda do Douro, numa extensão de 47 quilómetros de piso em bom estado. Os números, cedidos pela GNR dão que pensar mas há outros acidentes que não fazem parte das estatísticas e dos quais resultaram outras vítimas.
As forças de segurança falam, frequentemente, em “excesso de velocidade e álcool” mas existem outros factores que contribuem para os acidentes.
Por vezes, o gado que circula em plena via, as máquinas agrícolas em marcha lenta, e por vezes mal sinalizadas, aliadas a manobras perigosas, tornam a tragédia inevitável. Acresce que a estrada é muito utilizada por camiões de transporte de mercadorias que se dirigem a fronteira de Bemposta e Miranda do Douro, aumentando significativamente o volume de tráfego.
De acordo com o presidente da Câmara de Mogadouro, Francisco Pires, “os excessos de velocidade não justificam todos os acidentes”. O traçado que foi corrigido há cerca de cinco anos, “não foi feito da melhor forma, pois a via continua a atravessar várias localidades rurais, onde por vezes há atropelamos mortais”, sustenta o edil. Além disso os cruzamentos e entroncamentos existentes ao longo da via também não ajudam.
Cruzamento de Picote
O caso mais emblemático é o cruzamento de Picote, que requer obras de rebaixamento, tendo em vista a melhoria da visibilidade. Isto porque a seguir ao cruzamento existe uma lomba e uma curva algo apertada e não sinalizada.
Os trabalhos chegaram, mesmo, a ser anunciadas pelo Governo há cerca de um ano, mas as obras ainda não arrancaram, pelo que os acidentes sucedem-se. Esta situação já chegou a ser denunciada pelos bombeiros de Sendim e Miranda do Douro, que alertam as autoridades para o elevado número de acidentes registados naquele local.
Francisco Pires concorda com os soldados da paz. “A falta de sinalização, principalmente em curvas perigosas, leva os condutores a despistarem-se por não terem indicações de redução de velocidade ou de aproximação de curva perigosa”, alega o edil. Além disso, “na maior parte dos casos, as curvas não têm a devida inclinação, que permita desfazer as curvas em segurança” conclui o autarca. O presidente da CMM chama ainda a atenção para a necessidade de colocar rails de protecção, para salvaguardar a segurança dos motociclistas em caso de acidente.
Por outro lado, no tocante aos feridos graves resultantes dos acidentes, muitos deles acabam por falecer a caminho dos hospitais distritais, devido a distância e ao mau piso das vias de acesso a Bragança ou Macedo de Cavaleiros.
No caso dos sinistros ocorridos nas proximidades de Miranda do Douro, as ambulâncias costumam circular por Espanha, aproveitando o melhor piso das estradas.
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Última actualização: 16 de Setembro de 2001
Autor: Francisco Pinto
(Jornal Nordeste)
Fotografia: Copyright © de
Diário de Trás-os-Montes
Responsável:
Reis Lima Quarteu