Seis bombas lançam pânico em Santulhão

Brincadeira ou vandalismo?

(Artigo publicado no Diário de Trás-os-Montes,
ediçáo de 20 de Junho de 2001)
Diário de Trás-os-Montes

Aspecto da destruição causada por uma das bombas que explodiu em Santulhão

A população de Santulhão, uma pacata aldeia do concelho de Vimioso, acordou ontem sobressaltada com o rebentamento de, pelo menos, seis engenhos explosivos. Eram cerca das 3.30 horas quando um forte estrondo lançou o pânico em toda a localidade. Seguiram-se mais cinco em locais diferentes de Santulhão, mas foi o primeiro que fez mais estragos. Quando a população saiu à rua deparou com um abrigo de autocarro completamente destruído e com alguns prejuízos numa residência situada a escassos metros da paragem. Não há vítimas humanas, nem danos avultados em mais residências, mas na aldeia não há quem encontre explicação para o sucedido, embora esta não seja a primeira vez que ocorrem explosões na freguesia.

“Há uns anos também andaram para aí a rebentar com umas bombas, mas nunca se soube porquê nem quem eram”, revelou um jovem que se encontrava junto à paragem de autocarro esventrada.

Quando o Diário de Trás-os-Montes se deslocou a Santulhão, elementos da GNR e da Polícia Judiciária procediam à recolha de provas nos destroços do abrigo. Curiosamente, o equipamento feito de blocos de cimento, está situado a poucos metros do posto da GNR local.

Quanto ao material empregue no engenho explosivo, as autoridades escusaram-se a prestar declarações, alegando que “as provas ainda têm de ser analisadas”.

O comandante do destacamento territorial da GNR de Bragança, Aquilino Ala, destapa uma ponta do véu quanto às motivações do indivíduo ou indivíduos que colocaram as bombas. “Ou é brincadeira ou foi para assustar, pois, para além do abrigo, não há registo de grandes prejuízos”, sustentou o responsável.

Apesar dos engenhos terem rebentado em locais diferentes, as autoridades suspeitam que a autoria seja a mesma.

Se a intenção era assustar pode dizer-se que o objectivo foi conseguido, dado que a população acordou em sobressalto.

Os populares que ontem se concentraram junto ao abrigo destruído também avançam como a hipótese de brincadeira, alegando que “é fácil comprar bombas do tipo foguete de festa”.


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Última actualização: 16 de Setembro de 2001
Autor: João Campos (Diário de Trás-os-Montes)
Fotografia: Copyright © de Diário de Trás-os-Montes
Responsável: Reis Lima Quarteu