|
(Artigo publicado n'
A Voz do Nordeste,
edição de 12 de Setembro de 2000) |
|
A Língua Mirandesa, oficilalizada pela Lei nº 7/99, está a iniciar, como língua institucionalizada, a sua caminhada rumo à afirmação e ao desenvolvimento.
Nascida e conservada em meio de grande rusticidade, a “língua do campo, do lar e do amor” como a designou o grande etnólogo, Leite de Vasconcelos, começou a ser idioma escrito, segundo António Maria Mourinho, no último quartel do séc. XIX.
Instrumento de comunicação predominantemente oral, o falar mirandês tem suscitado, desde há muito, a curiosidade de muita gente e o interesse de estudiosos e cientistas por este ramo da linguística românica.
O reconhecimento recente como língua minoritária oficial é o culminar de um trabalho tenaz e persistente de gerações de mirandeses e de gente das mais diversas proveniências que se empenharam, não apenas pela sobrevivência local, mas também pela promoção e divulgação, no país e no estrangeiro, deste falar diferente e singular.
A Língua Mirandesa continua, pois, o seu caminho, mais viva, robusta, confiante e determinada.
A confirmá-lo atente-se no conjunto de iniciativas, umas já realizadas, outras programadas e que visam, fundamentalmente e em síntese, a consolidação e a intensificação do uso do Mirandês.
Formação - Curso de verão
Cientes de que se torna imperioso preparar jovens e adultos para o ensino do idioma, cinco professores mirandeses e um estudante universitário frequentaram recentemente em Oviedo, Astúrias, com o patrocínio do Governo Civil deste Distrito, em parceria com Academia da Língua Asturiana, um Curso de Verão de Asturiano, irmão do Mirandês.
De referir, como novidade, que no próximo ano lectivo (2000/2001), as Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico do concelho de Miranda do Douro terão, em regime de opção, a disciplina de Mirandês, tendo já o Ministério da Educação destacado um professor para esse fim.
Instituto da Língua Mirandesa
A necessidade da existência de uma entidade autónoma, com personalidade jurídica, capaz de defender e dignificar os interesses da instituição, de servir como o interlocutor válido junto das diversas instâncias, de fomentar e gerir as actividades próprias da sua esfera de acção, são alguns dos motivos que estão na base da criação do referido Instituto.
Esta decisão resultou do encontro realizados nos dias 3 e 4 de Setembro, em Miranda do Douro e que reuniu professores de Mirandês, o autor do Projecto-Lei da Língua Mirandesa, o Governador Civil do Distrito, cultores da Língua Mirandesa e a Presidente do Centro de Linguística Nacional. A Câmara Municipal que havia sido atempadamente convidada a participar nesta reunião, não compareceu, não obstante ter confirmado, previamente, a sua presença na mesma.
Foi dessa reunião que saiu a decisão de se avançar apara a criação do referido Instituto e de se proceder, desde já, à elaboração dos respectivos estatutos que se prevê venham a ser aprovados em reunião a realizar em Novembro ou Dezembro, já com outros elementos incorporados, designadamente aquelas pessoas que trabalharam na elaboração da Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa.
Com a criação do Instituto, novos horizontes se abrem ao Mirandês. Desde logo, a possibilidade de inscrição no Bureau das Línguas Minoritárias da União Europeia, circunstância que lhe permitirá obter fundos para algumas das suas iniciativas.
A participação, já no próximo ano, no Ano Europeu das Línguas 2001 é também uma consequência dessa filiação na grande família europeia. Para esse evento, várias são as acções propostas pela Comissão Nacional e que começarão a ser já realizadas no corrente ano.
Programação de iniciativas
Da proposta de programação de iniciativas, para não sermos exaustivos, referimos apenas algumas, aquelas que nos parecem assumir maior relevância.
Acções para o desenvolvimento interno do Mirandês:
É uma proposta de programação que exige uma concertação de interesses, de esforços e a mobilização de meios materiais e humanos.
O Grupo de Estudo tem bem a noção das responsabilidades assumidas. Mas está confiante nas potencialidades que se abrem a este projecto e contam com o empenhamento, com a colaboração e apoio de pessoas e instituições decididamente interessadas na preservação, na promoção e divulgação da Língua Mirandesa.
Voltar à imprensa
Última actualização: 19 de Setembro de 2000
Autor: Fernando Subtil
(A Voz do Nordeste)
Responsável:
Reis Lima Quarteu