Instalações degradadas e sem funcionários

Posto Zootécnico de Malhadas em decadência

(Artigo publicado no Semanário Transmontano,
edição de 28 de Julho de 2000)
Semanário Transmontano


O Posto Zootécnico de Malhadas, em Miranda do Douro, foi criado em 1913, com a função "exclusiva" de apoio ao "melhoramento e preservação da raça bovina mirandesa", cuja carne veio a ser certificada com a Denominação de Origem Protegida em 1996. Hoje, as infraestruturas estão degradadas, e restam três dos seus funcionários.

Durante décadas o posto teve a responsabilidade do registo dos nascimentos e do registo zootécnico da raça.

Já no início da década de 90, segundo nos explicou José Agostinho, vice presidente da Associação de Criadores de Bovinos da Raça Mirandesa (ACBRM), as suas competências foram sendo transferidas para aquela associação, incluindo o livro de registos da raça.

Entretanto, a tutela do organismo, que aquando a sua criação estava sob a alçada da Direcção-Geral de Pecuária, estava agora entregue à Direcção Regional de Agricultura de Trás-os-Montes (DRAT), que depois de alguma "pressão" exercida pela ACBRM, lhe cedeu algum espaço para o desenvolvimento do seu trabalho, concretamente, dois gabinetes e uma cave.

Mas José Agostinho denuncia as "condições precárias" em que os técnicos trabalham, nomeadamente por não terem à sua disposição os terrenos (ou parte deles) envolventes do edifício, que, afirma, a DRAT não lhes cede. "Os animais que aqui têm que permanecer, por vezes, durante dois anos, para testes, têm que ficar presos", o que, acrescenta, "é extremamente negativo".

José Agostinho afirma que "a parte do posto zootécnico gerida pelo Estado está paralisada". Como indicador desta paralisia, comenta que "os funcionários que se têm vindo a reformar, não têm sido substituídos".

E acusa ainda a DRAT de estar a "deixar degradar as instalações. Parte-se uma telha, ninguém a substitui", exemplifica.

José Agostinho diz que a ACBRM já teve verbas para introduzir melhoramentos nas instalações, mas que "não pudemos realizar por não serem nossas", justifica.

Protocolo em reapreciação
A ACBRM funciona com quatro técnicos, que trabalham, inclusivamente, nas áreas da investigação e análises, nomeadamente da salubridade da carne. No posto zootécnico de Malhadas trabalham, também, três técnicos do Agrupamento de Produtores de Carne Mirandesa, ao que o Semanário Transmontano apurou.

Em fase de instalação está, também, a Associação de Criadores de Ovinos de Raça Churra Galega Mirandesa.

Dos funcionários da DRAT, segundo nos informou José Agostinho, restam três, "que ainda não atingiram a idade da reforma", diz.

Nem todos os que por lá andam agora recordam o número de funcionários que o posto teria no auge da sua actividade. Alguns falam em trinta. José Agostinho diz que "talvez não tantos". Mas vai enumerando: "os pastores, o veterinário, os tractoristas, os engenheiros...".

Mas José Agostinho recorda, isso sim, que "nos últimos anos o posto zootécnico já não funcionava em pleno". Antes de 1993, altura em que a gestão do livro genealógico passou para a responsabilidade da ACBRM, "o posto estava a registar, em média, 700 a 800 bovinos por ano", diz José Agostinho, que compara com os valores actuais, "cerca de 4500 exemplares por ano".

O Semanário Transmontano contactou a DRAT para confirmar as suas intenções em relação à cedência dos terrenos envolventes do edifício do posto de Malhadas à ACBRM, e averiguar eventuais intenções de investimento nas infraestruturas. Do Departamento de Relações Públicas foi-nos dito, apenas, que "o protocolo estabelecido com a ACBRM está a ser reapreciado".


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Última actualização: 30 de Julho de 2000
Autora: Virgínia do Carmo (Semanário Transmontano)
Responsável: Reis Lima Quarteu