|
(Artigo publicado no
Semanário Transmontano,
edição de 14 de Julho de 2000) |
|
(...)
Para Francisco Pires, presidente da Câmara de Mogadouro, "as carências estão definidas, as estratégias estão feitas, resta definir para a região o que é mais importante". Na sua perspectiva a política dos municípios "tem sido caseira no bom sentido". As estruturas têm sido criadas para sair do subdesenvolvimento, já que, na situação anterior, "só estávamos desenvolvidos relativamente a Marrocos". Na sua perspectiva, a rede de acessibilidades "é o tubo de escape da região: falta construir o IP2 e a rede de ligação dos municípios afastados das vias estruturantes (IP2 e IP4). Daí a necessidade da construção do IC25". O autarca defende que a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro deve ser única, com valências em Bragança e Mirandela. Para preservar as mais valias agrícolas, ambientais e turísticas, Francisco Pires é favorável à construção da Barragem do Baixo Sabor. Na sua opinião, a região vai ser penalizada, mais uma vez, já que parece haver a intenção de transferir o investimento relativo à sua construção para a Beira.
Manuel Rodrigo, presidente da Câmara de Miranda do Douro, referiu que a "dinâmica" existente no seu município lhe permite afirmar que no seu concelho não há desemprego. Com o dinheiro do 2º QCA têm-se criado infra-estruturas e composto o terreno para a componente turística, "que é fundamental". No entanto, em seu entender, o grande problema é o das estradas. Apontando esta lacuna como a grande responsável, por exemplo, de alguns concursos para técnicos de saúde terem ficado desertos, o autarca indicou os motivos: demora-se tanto de Miranda ao IP4, como deste ao Porto. E para ir para Bragança fica mais perto ir por Espanha. Esta circunstância permite-lhe até pensar na possibilidade de qualquer dia ter de propor que os doentes se vão tratar a Zamora, que fica mais perto do que Bragança. Outra razão para este "permanente estado de desconforto" é o facto de andar há seis meses a batalhar para que o Governo pague os 50 mil contos, relativos à construção da biblioteca que o município teve de adiantar.
Edgar Gata, presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta, com o anúncio da filosofia do congresso, está convencido de que se está no início de qualquer coisa. Na sua perspectiva é tempo de "colocar o dedo na ferida" e ter a noção de que os milhões não cobrem tudo. Em vez disso, indica a criação de "dinâmicas", referida por Ricardo Magalhães, como objectivo a ter em devida conta. Para o autarca eleito pelo PSD, "a regionalização não é condição necessária para o desenvolvimento da região".
Apontar baterias no sentido de convencer o Estado para a necessidade de canalizar mais investimento público para Trás-os-Montes foi um dos motivos para concordar com realização do III Congresso.
(...)
Voltar à imprensa
Última actualização: 24 de Julho de 2000
Autor: João Branco
(Semanário Transmontano)
Responsável:
Reis Lima Quarteu