Sendim: Douro entra na onda

(Artigo publicado no Público,
edição de 29 de Julho de 2000)
Público

Cartaz do 1º Festival Intercéltico

É uma das estreias absolutas do Verão 2000 - e a proposta mais heterodoxa do roteiro que o FUGAS lhe propõe. O I Festival Intercéltico de Sendim, que decorrerá de 4 a 6 de Agosto, foge à hegemonia rockeira típica dos eventos do género e propõe uma ementa tradicional feita à base de gaitas de foles, concertinas e outros instrumentos rústicos. Mas não é só a dedicação em regime de exclusividade à música celta que faz deste festival uma proposta realmente diferente: aqui não se propõe um acampamento improvisado e vagamente desconfortável, mas três dias de imersão nas origens da cultura mirandesa. Convém, por isso, prestar atenção ao enorme rol de actividades paralelas sugeridas pela organização: há de tudo um pouco, desde conferências dedicadas a temas tão esotéricos quanto "Figuras Rituais do Solstício de Inverno: Tradição e Continuidade" a exposições de instrumentos tradicionais, visitas aos lugares da arqueologia céltica em Miranda e passeios às arribas do Douro. Não falta, sequer, em terra de pauliteiros, um "workshop" sobre a Dança dos Paulitos. Pretende-se, de resto, que a animação seja total: durante o fim-de-semana que dura o festival, as ruas da vila serão animadas por gaiteiros e acolherão uma feira de instrumentos musicais e produtos típicos. E porque se trata de celebrar o tom festivo da mais genuína música celta, não fica de fora um mercado do disco em que o visitante poderá adquirir preciosidades da música tradicional europeia.

Cartaz
O recinto da Escola EB 2/3 de Sendim é o principal cenário do festival, que vende os seus bilhetes (diários) a mil escudos. O que não é muito, se se tiver em conta que o ingresso serve para ver, sempre a partir das 22h00, os Galandum Galundaina e a formação galega Camerata Meiga (dia 4); a Asturiana Mining Company e os veteranos do punk-folk britânico Oyster Band (dia 5); e, a encerrar esta primeira edição do intercéltico sendinense, o Grupo de Cantares de Sendim e o agrupamento Biba La Gaita!... Uhh!..., que reúne gaiteiros tradicionais de diversas gerações. Paralelamente, a Taberna dos Celtas receberá diariamente, e num horário mais tardio, algumas promessas da música tradicional: Picä Tumilho, SangriSulta, Comvinha Tradicional e Mandrágora são as bandas convidadas para encerrar cada uma das noites do festival.

Como viajar
A vila de Sendim fica a meio caminho entre Mogadouro e Miranda do Douro - ou seja, a uns bons 260 kms do Porto. O caminho começa fácil, pela A4, mas complica depois de Amarante e à medida que se vai subindo o Marão. Já no IP4, o melhor é sair para Macedo de Cavaleiros e aí apanhar a N216 até ao Mogadouro, o que equivale a umas boas dores de cabeça. Depois, as coisas melhoram: a N221, que o deixará em Sendim, é uma estrada que se faz bem. Para distrair, contemple a paisagem do Rio Sabor. E lembre-se que não há muitas alternativas: só os transportes Rodonorte fazem a viagem até Sendim, com partidas do Porto às 16h30 e 18h25.

Onde comer
Embora de difícil acesso, o planalto mirandês é das regiões do país onde melhor se come. Deixe-se tentar pela gastronomia da região e ceda aos encantos de uma boa alheira ou de uma suculenta posta mirandesa. Em Sendim, procure o restaurante Gabriela (tel: 273 739180), onde o convidarão a assistir à feitura das alheiras e a visitar a adega e o fumeiro. Se quiser fazer uma incursão até Picote, experimente, no Restaurante Riu Piu Piu, a posta mirandesa (talvez a melhor da região) ou o coelho estufado.

Onde ficar
As hipóteses não são muitas, e por isso o melhor é reservar com a antecedência possível. Até porque aqui não há a solução de recurso típica dos outros festivais. Tente, em Sendim, as residenciais Gabriela (tel: 273 739180) e O Encontro (273 739244). Em Miranda, há opções mais luxuosas e seguramente mais caras: a Pousada de Santa Catarina (tel: 273 431005/255) e o Hotel Turismo (tel: 273 438030) são as mais recomendáveis.


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Última actualização: 25 de Novembro de 2000
Responsável: Reis Lima Quarteu