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(Artigo publicado no
Público,
edição de 15 de Julho de 2000) |
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A Câmara Municipal de Miranda do Douro pretende candidatar a cidade a Património da Humanidade. A ideia já não é nova, mas só agora, com a criação de um Gabinete Técnico Local (GTL), foram dados os primeiros passos. "Solicitámos informação à comissão nacional da UNESCO acerca de toda a tramitação e requisitos para se poder observar uma candidatura deste género", diz Jorge Lourenço, do GTL.
Neste processo todos dizem estar conscientes das dificuldades e da sua morosidade. Não existindo certezas sobre a possibilidade de avançar com esta candidatura, existem para já grandes convicções. "A cidade e o município têm vindo a implementar uma política sustentada de intervenção, conservação e preservação do património construído, particularmente no centro histórico, que nos dão a garantia de podermos vir a instruir um processo de candidatura", argumenta Jorge Lourenço. Ernesto Vaz, arqueólogo do GTL, refere que aquilo que é mais importante na cidade "é o todo em si, o conjunto equilibrado, a paisagem urbanística no seu estado natural sem grandes agressões modernas".
Na cidade intramuralhas vivem cerca de três mil habitantes, que dão uma dinâmica única ao centro histórico: "Esta massa humana vive, trabalha e diverte-se aqui no centro histórico e este é um facto que nós vamos tentar ressalvar e sublinhar nesta candidatura", acrescenta Jorge Lourenço. E se é raro encontrar um centro histórico bem preservado e completamente habitado, não é menos raro encontrar ruas onde uma boa parte das casas remontam ao século XV mantendo ainda a sua traça original. O traçado medieval da cidade, o castelo e as muralhas, a sé catedral, o Convento dos Frades Trinos, a Igreja da Misericórdia, a ponte gótica sobre o rio Fresno - são estes monumentos, entre outros, que no seu conjunto tornam a cidade interessante. A acrescentar a tudo isto, existem peças com grande raridade, como por exemplo o Aqueduto do Vilarinho. "Este monumento foi mandado construir pelos arcebispos da diocese de Miranda e trazia a água para a cidade. É único em Trás-os-Montes, e no Norte existe um aqueduto idêntico apenas em Vila do Conde, no Convento de Santa Clara", explica o arqueólogo. Este aqueduto fica fora da cidade a caminho da Quinta de Vilarinho, que era no século XVI a residência de Verão dos arcebispos.
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Última actualização: 24 de Julho de 2000
Fotografia: Copyright © de
Centro de Informática da UTAD
Autora: Ana Fragoso
(Público)
Responsável:
Reis Lima Quarteu