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(Artigo publicado no
Mensageiro de Bragança,
edição de 21 de Julho de 2000) |
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A conclusão do plano rodoviário e a universidade de Bragança são, para Júlio Meirinhos, representante do Governo no distrito de Bragança, as prioridades essenciais que esse mesmo Governo deve cumprir em prol do desenvolvimento da região; caso contrário, o distrito vai ter algumas dificuldades. Tendo iniciado actividades a 12 de Novembro de 1999, o Governador Civil de Bragança já fez a radiografia do distrito, que não se cansa de percorrer, acorrendo a todas as solicitações da sua presença; distrito do qual quer ser e se assume como porta-voz junto do Governo.
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De "campeão do prego" a Governador Civil
Júlio Meirinhos nasceu em Sevilha, para onde os seus país haviam emigrado, em 1954. Na capital da Andaluzia aprende o Espanhol, talvez com inevitável sotaque andaluz. Mas o sotaque que hoje ainda denota provém-lhe da sua verdadeira língua. Aos três anos de idade vem viver para Miranda. Aprende a falar mirandês. A língua portuguesa só a conheceu aos sete anos de idade, quando foi para a escola.
O liceu fê-lo em Bragança, e como qualquer aluno da altura, que se prezasse, sabendo jogar bem bilhar, matraquilhos e "o prego". Neste último jogo angariou uma das primeiras famas que conheceu. "Era tido como campeão do prego da Estacada, mesmo aqui ao lado do Governo Civil, o que teve como resultado um ano chumbado".
Seguiu-se o curso de Direito, em Coimbra, "e um imparável desejo de regressar ao Nordeste". Por esse motivo, fez o estágio do curso em Miranda do Douro.
Aí nasce, em 1979, o desafio público de se candidatar à presidência da Câmara Municipal.
Entretanto, em Bragança teve ainda uma experiência jornalística, no "Jornal Mirandum", que lhe permitiu conhecer "uma amálgama de sensibilidades políticas", e constituiu uma experiência muito útil para a sua vida pública, "para ser tolerante, para ouvir e respeitar todas as opiniões".
A actividade política iniciou-a cedo. Ainda no liceu, foi dirigente da Juventude Popular Católica e da Academia de Bragança. Em Coimbra foi eleito para os órgãos dirigentes estudantis, onde ganhou "traquejo na confrontação com as massas". Um jeito de falar ao povo já experimentando desde o púlpito da capela do Lar de S. Domingos Sávio, em Bragança, onde também proferiu discursos, todos os Domingos, a pedido do Padre Liberal, e a troco de um lanche.
Em finais de 1979 Júlio Meirinhos foi eleito para a Câmara Municipal de Miranda do Douro, onde cumpriu dois mandatos, interrompidos por uma estadia em Macau. Naquela que foi a última província ultramarina de Portugal cumpriu funções de magistrado e presidiu ao Tribunal de Contas e ao Tribunal Administrativo.
Regressa a Miranda em 1990, para cumprir mais dois mandatos como Presidente da Câmara. Mandatos durante os quais acumulou a função de Coordenador do Procôa.
Essa época classifica-a de extremamente positiva porque "se conseguiu fazer obra e mudar a imagem de Miranda, levar-lhe qualidade de vida visível e suficiente para me deixar feliz, mas sempre insatisfeito".
O deputado mirandês
Apesar desta satisfação autárquica pela obra feita, aquele que considera o seu maior legado à sua terra natal estaria ainda por cumprir. Em 1995 foi eleito deputado para a Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Bragança, lugar que não assumiu de imediato, por ainda ter obrigações para com Miranda do Douro. Estava em pleno segundo mandato na autarquia.
A meio da legislatura vai para a Assembleia da República, onde apresenta o Projecto de Lei para a oficialização da língua mirandesa, o projecto do seu orgulho.
"Havia necessidade que o deputado fosse e falasse mirandês, e eu cumpria os requisitos. Essa era uma oportunidade única e era imperdoável não aproveitá-la. O Mirandês foi ouvido pela primeira vez na sua história em plena Assembleia da República Portuguesa".
Segundo Júlio Meirinhos, a oficialização da língua foi o impulso fundamental para que hoje seja cada vez mais falada pelos mirandeses e passasse a estar na moda, havendo já sete obras literárias escritas em mirandês, e prevendo-se que apareçam cada vez mais. A oficialização permitiu ainda que a língua passasse a ser ensinada aos alunos do primeiro ciclo do concelho de Miranda.
E tudo porque "a nossa língua é um orgulho para nós, mirandeses, para aqueles que a vêm falando desde há oito séculos. Um orgulho cultural daqueles que sempre se expressaram em mirandês".
Hoje, Júlio Meirinhos assume-se como defensor de todo o Nordeste e dos interesses do desenvolvimento regional, defensor de uma linguagem regional que também se quer fazer ouvir pelo país e pelo Governo, independentemente das variantes de pronúncia política dessa linguagem.
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Última actualização: 27 de Julho de 2000
Fotografia: Copyright © de
Mensageiro de Bragança
Autora: Ana Preto
(Mensageiro de Bragança)
Responsável:
Reis Lima Quarteu