Picote é uma aldeia tipicamente transmontana, com as suas casas de pedra; os bancos junto às portas de entrada das casas, onde os picoteses se juntam ao fim da tarde para "pôr a conversa em dia"; as várias torneiras públicas (sim, porque aqui a água é um bem precioso, devido aos rigores do clima, principalmente no verão); as fontes para os animais; as várias capelinhas dedicadas aos santos em que o povo deposita a sua fé; os burros que seguem para os lameiros, onde poderão pastar tranquilamente durante o dia; etc. Para além do que é mais comum em todas as nossas aldeias, Picote também tem coisas que são só suas, que não podem ser encontradas em nenhum outro lugar. Dessa forma, iniciaremos aqui uma pequena viagem pelo que de melhor Picote tem para nos oferecer.
Começaremos o nosso percurso por Picote pelo lugar mais central de qualquer aldeia portuguesa que se preze: a igreja paroquial.
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A pequena igreja de Picote situa-se bem no centro da aldeia. Tem um aspecto bastante limpo e claro, e no seu interior encontra-se um púlpito em pedra, bastante valioso do ponto de vista arqueológico e estético. Ao lado da igreja, situa-se o edifício da Casa do Povo de Picote, colectividade que muito contribui para a dinamização da vida cultural e social da aldeia. Também ao lado da igreja encontra-se a "Porca" de Picote (numa alusão à mais famosa Porca de Murça). Este monumento é denominado, pelos entendidos em Arqueologia, por "berrão". A Porca de Picote foi encontrada nos terrenos à volta de Picote, e pensa-se que terá sido um ídolo adorado por povos antigos que habitaram a região. Na realidade, é uma das várias evidências da presença humana em Picote há já muitos séculos.
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Seguindo pela rua principal, chega-se ao Largo do Tombar, onde se situam o coreto da aldeia, a "Curralada", um pequeno espaço de convívio e lazer, cujos lucros da sua exploração revertem para as Comissões de Festas da aldeia (Santo Cristo e Santa Bárbara), e o café e restaurante Carmona. Mais abaixo, está localizada a Capela de Santa Cruz. No Tombar, pode-se contemplar um dos melhores exemplos das casas rústicas de Picote, actualmente abandonadas, mas que olham os visitantes como que a pedir que nos apoderemos delas para dar-lhes mais uma vez vida...
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Descendo o Largo do Tombar, segue-se para o Largo do Toural, onde se situam várias casas de pedra, dignas de serem admiradas. O Largo do Toural tem esse nome, porque era aqui que se realizavam os "encontros amorosos" entre o gado de Picote. Actualmente, o Toural é palco, durante os meses de verão, de conferências sobre a região e a cultura mirandesas. A escolha desse largo para acolher tais iniciativas reside no aspecto bastante rústico que este lugar da aldeia ainda preserva.
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Do Largo do Toural, seguimos agora para a Capela de Santo Cristo. Situada no alto de uma pequena elevação, de onde se pode obter uma vista panorâmica da aldeia e arredores, esta capela foi construída em estilo románico, sendo provável que possua uma necrópole romana. A capela de Santo Cristo desempenhou o papel de igreja paroquial de Picote até à construção da actual igreja. Como em qualquer terra portuguesa, também o povo de Picote tem a sua festa dedicada ao Santo Cristo. Esta festa realiza-se no 1º Domingo de Agosto, todos os anos.
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Descendo da Capela de Santo Cristo, e passando outra vez pelo Largo do Toural, tomamos a Rua da Fraga do Puio (Rue de la Peinha de l Puio, em mirandês), em direcção a um dos lugares mais procurados pelos forasteiros que visitam Picote: a Fraga do Puio. Para chegar a esse lugar, é necessário afastarmo-nos um pouco do casario da aldeia, o que possibilita, dessa forma, bonitas imagens panorâmicas da bela aldeia de Picote. |
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Última actualização: 23 de Setembro de 2001
Fotografias: Copyright © de
Picote - Uma Aldeia do Planalto Mirandês
Responsável:
Reis Lima Quarteu