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Cavalo
As gravuras rupestres são um dos mais importantes vestígios da arte do Paleolítico Superior em Portugal e foram durante mais de dez anos o único exemplo de arte rupestre paleolítica ao ar livre em território nacional e o primeiro a ser identificado na Europa. Apesar de há muito tempo conhecidas pela população local, que chamava à maior das representações «o carneiro», apenas em 1981 foram dadas a conhecer ao mundo científico. São constituídas por quatro gravuras executadas sobre uma parede xistosa, sendo que apenas uma das figuras se apresenta completa. Três são claramente zoomórficas, sendo a última constituída por algumas linhas, que levam a pensar tratar-se dos cornos de um veado ou outro cervídeo. A mais nítida é a de um cavalo. Este tem um comprimento de 62 cm e é uma das mais belas imagens da arte rupestre ao ar livre em todo o mundo. Bem definida nas proporções e dando a sensação de movimento, tem o corpo e a cabeça de perfil. Dos membros traseiros só as coxas foram representadas. A cauda também se encontra incompleta, enquanto o focinho foi danificado em época posterior à execução da figura. O sexo é bem visível, e demonstra tratar-se de um macho, o que contradiz a teoria dos que pretendem ver nele uma égua grávida, dada a forma volumosa da barriga. O artista realizou ainda, sob o ventre, um segunda linha, talvez para dar uma noção de volume e perspectiva, ou para transmitir a ideia de uma variação da cor do animal entre a barriga e o flanco. Esta figura equídea foi gravada com um sulco profundo, podendo no entanto ser observados, no ventre e no pescoço do animal, diversos grupos de picotagem de forma circular.
Esta técnica de picotagem foi aliás a usada em todas as outras figuras, uma à direita do cavalo, com cerca de 20 cm de altura e uma outra, também à direita, embora num nível mais inferior, que mostra ter cerca de 30 cm. Apesar de incompletas, devem também representar cavalos.