Cabeceira da Igreja de Castro de Avelãs

Concelho de Bragança, freguesia de Castro de Avelãs

A Igreja de Castro de Avelãs fazia parte de um antigo mosteiro beneditino que já no século XII era uma abastada instituição, usufrutuária de múltiplas rendas. Em Março de 1387 o mosteiro recebeu como hóspede o duque de Lencastre, com a sua comitiva, na antevéspera do seu encontro com D. João I, no planalto de Babe, no âmbito do casamento da sua filha - D. Filipa de Lencastre - com o rei português. O duque inglês fazia-se acompanhar de cerca de um milhar de guerreiros, alguns deles veteranos da famosa batalha de Crécy. 
O mosteiro foi extinto por uma bula do papa Paulo III, datada de 22 de Maio de 1543, e anexado à recém-criada diocese de Miranda do Douro. A transferência dos bens fez-se no ano seguinte, ficando a sua administração entregue aos frades do mosteiro, com a obrigação de enviarem para a Sé mirandesa o quinhão das rendas estipulado. Com o decorrer do tempo, contudo, o mosteiro e o templo monástico foram votados ao abandono e praticamente desapareceram, excepção feita à magnifica cabeceira românica da igreja. 
Esta é composta de três capelas redondas - uma ábside e dois absidíolos - em estilo românico-mudéjar, de ascendência leonesa, com paralelos na Igreja de S. Lorenzo de Sahagum. A singular cabeceira é totalmente revestida a tijolo, e rematada por fiadas de tijolos em ziguezague. A capela-mor apresenta três registos de arcadas cegas, com duas frestas nas arcadas inferiores. Os absidíolos apresentam dois registos de arcadas cegas, tendo uma fresta na arcada central inferior. Posteriormente, já no século XVIII, foi-lhe acrescentada uma nave rectangular, com a sacristia adossada ao absidíolo esquerdo. O absidíolo direito continua aberto, e possui ao centro um sarcófago monolítico, em granito. Este é constituído por uma arca feral de configuração paralelepipédica e uma tampa de secção pentagonal, com remate superior em duas águas. 
À direita de quem entra no recinto podemos observar uma torre quadrangular, com cerca de uma dezena de metros de altura, em alvenaria de granito, rematada por um campanário com um sino, que faria parte das instalações monacais.
 

Acesso: A 3 km a oeste de Bragança, cruzamento à esquerda na estrada para Vinhais (EN 103).

Protecção: Monumento Nacional, Dec. 16 Junho 1910, DG 136 de 23 Junho 1910

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Carlos Pinheiro © 2000