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DOURO INTERNACIONAL
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As preocupações ecológicas
que nos últimos anos têm tido grande impacto na opinião publica não conseguiram contudo
reparar as grandes agressões que se realizam todos os dias sobre o meio. E temos
exemplos.
A grande extensão dos limites fronteiriços do nordeste transmontano, aliados a baixa
densidade demográfica e ao tipo de agricultura pratica (em recessão) tornam esta região
ainda quase intocável.
A criação do Parque Natural de Montesinho foi dos exemplos para a protecção de vastas
áreas do nordeste transmontano. Existem outras áreas e sítios de interesse natural que
se não forem tomadas as respectivas medidas de protecção, em breve poderão perder-se
irreversivelmente.
Destas áreas que há muito tempo se vem falando pelos ambientalistas, políticos,
autarcas, imprensa e as populações, apesar de tudo nunca se avançou para soluções
concretas e definitivas, nomeadamente para o Douro Internacional que com
a s suas características pouco alteradas, constituídas por comunidades de fauna de flora
de alto valor ecológico, é contudo habitada por espécies vegetais e animais em perigo de
extinção. Propiciam contudo e ao mesmo tempo grande atracção turística e recreativa.
Perante esta diversidade biológica há que definir estratégias para que esta área possa
ser incluída no figurino das áreas protegidas.
A utilização dos recursos naturais numa perspectiva do desenvolvimento económico
e
sustentado é o objectivo prioritário tem em consideração a presença de valores e
recursos naturais únicos na península ibérica.
Assiste-se hoje a um fluxo cada vez maior de visitantes especializados tendo como rumo a
"natureza", lugares que ainda não sofreram a intervenção tecnológica
acentuada e que se encontram ainda num estado de absoluta admiração.
O NPEPVS consciente da importância desta área, vem desde 1974 intervindo na região do
douro efectuando diversas acções que vão desde descidas de barco para realizar censos
faunisticos, passando por percursos a pé, efectuando inquéritos, publicação de
desdobráveis informáticos, até há criação de campos de alimentação para abutres.
Este esforço será inglório se olhasse-mos só para a margem direita do douro. A
natureza não tem fronteiras, assim desde janeiro de 1992 firmou-se um acordo com outra
ONG espanhola - Amigos de la Tierra - tendo em vista unir vontades para preservar a área
comum.
Temos consciência que muitos trabalhos sido elaborados sobre o Douro Internacional no
ambiento da fauna e flora e paisagem que realçam o estudo recente pela região autónoma
de Castilla-Leon.
De momento não interessa reivindicar o protogonismo deste ou aquele País, mas sim
adoptar um política concertada e homogénea que beneficie ambas as regiões, já por si as
mais atrasadas da Europa. Julgamos que com a criação de um parque natural traria mais
valias para ambos os lados da fronteira. 
As regiões fronteiriças foram durante muitos anos áreas de separação de Portugal e
Espanha, na actualidade a fronteiras começam e devem ser motivos de união, descobrindo a
cooperação e formas de desenvolvimento que criem ao mesmo tempo melhoria da qualidade de
vida das populações locais e contribuam com espaços naturais que são património
europeu.
O desenvolvimento das regiões transfronteiças depende do concreto aproveitamento das
potencialidades endógenas, até agora não valorizadas. Esta é a unica via para o
desenvolvimento sustentado em que se baseia uma gestão racional dos recursos naturais e
socio-economicos contribuindo para a conservação do património natural e cultural e
ainda da economia rural.
O estabelecimento de comunicação entre as associações e administrações de Espanha e
Portugal é o factor essencial para a consolidação de projectos de cooperação
transfronteiriça.
Há muitas ameaças que pairam sobre esta região - incêndios florestais, pilhagens e
destruição de ninhos, focos de turismo selvagem, proliferação de postes e cabos
eléctricos, pressão cinegética, do lado espanhol temos o projecto da construção do
cemitério nuclear, temos o desvio de parte do caudal do rio douro contemplado no Plano
Hidrologia Espanhol (duero para os nossos hermanos), e a principal ameaça é a
passividade de ambos os países na tomada de medidas concretas.
Dos censos efectuados nesta área, consideramos de primordial importância as aves de
rapina - águia real que nos restam poucos casais, outra espécie que é emblemática
é a
cegonha negra que representa cerca de 70% de nidificação na Península Ibérica
em areas
consideradas de fronteira sem esquecer os abutres que encontram aqui um santuário
para a
sua nidificação. Os abutres estão para o Douro como as aves aquáticas para o estuário
do Tejo, os garranos selvagens para o Gerês, ou ainda mesmo o lince para a serra da
Malcata e o lobo para o Parque Natural Montesinho.
Conciliar a protecção do património natural e cultural com a actividade humana é uma
tarefa que exige de todos, uma acção concertada em especial por parte das ONG's,
instituições publicas e autarquias locais.
A criação de uma área protegida transfronteiriça, é o objectivo comum que não só
iria preservar a fauna, a flora, a paisagem, o património reconstruído mas também
valorizar e desenvolver de forma sustentada a qualidade de vida das populações locais
envolvidas.