torre de moncorvo
[ Home Page | Sobre o Concelho | Câmara | Monumentos | A Visitar | Gastronomia | Romarias | Artesanato ]

Felgar - Retrato de Felgar

Felgar é uma freguesia do concelho de Moncorvo, que se situa no Cabeço da Mua, a cerca de 12 Kms da sede do concelho, na estrada nacional que liga este concelho a Freixo.

Com uma populão de 1200 almas, distribuidas por 314 fogos e 852 edifícios, Felgar, que viveu das minas do Carvalhal vive hoje essencialmente da sua agricultura.

Freguesia, com saneamento básico, água canalizada e as ruas empedradas é sem dúvida uma povoação aprazível e acolhedora.

Os mais velhos encontram no seu posto médico, solução para muitos dos seus problemas de saúde. A cultura, distribuida pela Associão,  faz a sua Banda Filarmónica, a menina dos olhos dos felgarenses.

Os mais jovens, distribuidos pelo Pré-primário (20) e primário (40), asseguram com tranquilidade os próximos tempos, pelo que ali ainda não a dramática a desertificação

A fé destas gentes que tempos houve debandaram pelo Brasil, á assinalada pelo sumptuoso Santuário de Nª Srª do Amparo e por umas tantas capelas com a de Santa Cruz, séc.XII; a de Nª Sra. da Conceição; a de S. Lourenço e do Espírito Santo; a Igreja Matriz, séc. XVII, com duas naves, coro sustentado por duas colunas, quatro Pias em cada base e talhas maravilhosas nos seus altares, fazem dela uma das mais bonitas da região.

E com esquecer a capela de S. Jo‹o Baptista, nos Barrais?

Mas se Felgar é nos dias de hoje tudo isto, passemos a falar agora do Felgar de outros tempos.

Felgar, conforme documentos do arquivo de Simancas, situa-se como já havíamos afirmado ao pé do Cabeço da Mua, onde nasce de pouco mais de meia légua, (cerca de 2,5 Kms).

As águas abundantes convertidas em força motriz e como se afirma nos documentos referidos, moviam época vinte moinhos de pão e quatro pisões de pano. Fabricava-se loiça de barro vermelho fino, com cheiro e lustro semelhante á de Estremoz, que se vendia por muitas e distantes lugares.

No cabeço da Mua, havia ferro que se explorava facilmente e que depois de trabalhado se vendia para muitas partes do Reino.

As suas terras de uma e outra margem do Sabor, eram férteis, principalmente no lugar de Silhade, onde se colhia muito pão, azeite e amendoa. Este lugar de Silhade, tinha nessa época 20 casas, onde as pessoas se recolhiam no tempo de semear e colher os frutos da terra.

Consta ainda que no sítio de Silhade, junto ao Rio Sabor, havia uma povoação de que ainda há vestígios. Neste lugar, havia um rosmaninhal, aonde os moradores de Silhade vinham segundo consta folgar, tendo-se povoado a pouco e pouco, vindo a dar origem ao nome actual de Felgar.

No que á arqueologia diz respeito, aqui deixo a inscrição existente na capela de Santra Cruz e que terá sido levantada a um indivíduo falecido com 62 anos de idade “Reburros Servio da centúria Narélia, faleceu com 62 anos de idade”.

O mesmo tradutor afirma que n‹o sabia o que queria dizer ARI, nem se existia uma Centúria Narélia, sabia em todo o caso que o C invertido queria dizer Centúria. Muitas outras considerações têm sido feitas a primeira, parece ser a mais provável.

Chegados aqui, é tempo para lhes falar da faceta industrial desta maravilhosa freguesia.

Assim sendo e citando o DG de 2 de Agosto de 1873, aí se publica os indivíduos que tinham pedido diplomas de descobridores de minas de ferro sitas nas freguesias de Moncorvo e Felgar, nos sítios de Barro Vermelho, Sobralhal, Fragas do Chapão, Cabeço de Alva e Fraga de Facho ou Duas Barreiras, prefazendo ao todo cinco minas.

Em relação ao DG de 31 de Julho de 1874, vem publicado o pedido de Jo‹o Pacheco de Resende de seis minas de ferro no termo do Felgar e nos seguintes lugares: Encostas NE-W-S, encosta E do cabeo da Meza, Fragas da Carvalhosa e fragas do Carvalhal, registadas a 15 de Dezembro de 1873 na Comarca de Moncorvo.

Pelo que pesquisamos não temos dúvidas de afirmar de que terá sido esta freguesia uma das pioneiras no campo industrial a atestá-lo aqui deixamos o aparecimento da industria dos lanifícios.

Em 1863, o espanhol Manoel Milhano, fundou uma tecelagem de cobertores de Pápa (lã), em Moncorvo. esta fábrica permaneceu aqui cerca de seis anos, tendo sido transferida depois para o Ribeiro dos Moínhos, termo do Felgar, aproveitando a força matriz da água, mais barata para a altura.

Esta fábrica, chamada de Fábrica do Felgar, foi dirigida por um filho do seu fundador que vivia no Porto, onde dirigia outra fábrica de lanifícios.

As suas dimensões eram razo‡áveis para o tempo, basta atentarmos que possuía seis teares, seis cardas, uma esfarrapadeira e duas máquinas de fiação. Possuía ainda dois pisões, um para cobertores e outro para burel, empregando cerca de dez operários permanentes. No que á cerâmica diz respeito e como já referiamos, teve uma actividade próspera que remonta segundo estudiosos aos tempos dos romanos. Esta cerâmica assemelhava-se á de Pinela. As peças que mais se fabricavam eram o alguidar, a talha, a vinagreira e a panela.

E como esquecer nesta altura do nosso poster, a ápoca da Santa Inquisição.

Ë semelhança de outras terras, Felgar teve os seus mártires do santo of’ício.

Destas personalidades aqui deixamos duas, António Henriques Correia, parte de Cristão-Novo, rendeiro, filho de António Henriques, foi condenado por auto de 18/11/1674.

Manuel de Gouveia de Azevedo, capitão da Ordenança, era natural do Felgar, foi condenado a três anos para Castro Marim, por auto de 17/10/1694, IC, por dizer, segundo a acusação, palavras injurosas contra o Santo Ofício e certo ministro do mesmo. Tinha 37 anos.

Chegados aqui, falemos agora dos ilustres desta terra, “És tão linda/Oh! Minha aldeia”.

Uma das figuras mais proeminentes, é a do Abade do Felgar João Pinto, figura sinistra e comissário do Santo Ofício.

Seguem-se-lhes o António Vaz Pereira Bacelar, natural do Felgar, Dr. em Cânones (direito religioso). Escreveu uma tese de direito canônico dedicada a Nª Sª do Rosário e defendida no 5º ano do seu curso, pelo ano de 1705.

Outra família que era imperioso citar, é a família Guerra. O pe. Adriano Augusto que por ser personalidade controversa, escreveu em vários jornais da época.

O António Emídio Guerra, médico e o Ramiro Máximo Guerra, também Dr. em medicina. E como os últimos são os primeiros, falemos agora dos URGEL ou HORTA. natural desta terra, pouco se sabe de Urgel Horta, já que a vida o levou bem cedo; quanto a Urgel Júlio Horta, Dr. em medicina pela UP, aqui nasceu a 17/06/1896. Foi oftalmologista, após especializar-se em Paris. Deixou várias obras literárias.

E pronto estamos a chegar aos últimos retoques deste postal, antes porém permitam-me que lhes deixe duas quadras do seu folclore:

Os alhos são da Matela,
As panelas do Avinhó;
  Os cucos de Pradinha,
E os búbelos, (poupa-pássaro) de Paçó
S. Martinho das tigelas,
Constantim dos pucarinhos
Cicouro das moças guapas,
e também dos valentinos.

E o Felgar? Que responda quem souber. Por nós, dizemos mais uma vez, “És tão linda, Oh! Minha aldeia”...

JPV


braganc@net

1997-98  Todos os direitos reservados. Braganc@Net - Apresentação e Serviços.