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António Maria
Mourinho (1917-1996)
António Maria Mourinho nasceu em
Sendim, em 14 de Fevereiro de 1917, tendo falecido em 13 de Julho de
1996.
Em 1942, já como pároco de Duas
Igrejas (onde permaneceu durante 42 anos), fez a sua estreia
literária na Sociedade de Geografia com o poema "Las Site
Armanas" e recebendo nessa ocasião a Ordem de Cristo das
mãos do então presidente da República, Marechal Carmona.
No ano de 1945, fundou o grupo
folclórico de Duas Igrejas e os Pauliteiros de Cércio, dois
agrupamentos que o sacerdote apresentou em Espanha, Alemanha, Estados
Unidos da América, Canadá, Angola e Macau, entre outro países,
tendo em vista a divulgação da cultura Mirandesa.
Das obras e separatas escritas por
António Maria Mourinho, entre as quais se encontram dois volumes de
um cancioneiro, o director do Museu Terra de Miranda destaca "Nossa
Nossa Alma i Nossa Tiêrra", um livro constituído por poemas
escritos em mirandês, que, de acordo com o responsável, "retratam
a vida de um povo e da sua gente com toda a grandeza de alma".
António Rodrigues Mourinho gosta de
chamar a esta obra a "Epopeia Mirandesa", "porque,
até hoje, ninguém igualou o meu tio na maneira como falou da terra
de Miranda e na construção da poesia em mirandês",
sublinhou o historiador, em declarações prestadas a "MB".
Muito se poderia escrever acerca da
vida e obra de António Maria Mourinho, tal foi a dimensão, o alcance
e o contributo do seu trabalho para preservar a memória colectiva do
povo mirandês. O director do Museu da Terra de Miranda consegue
definir a sua personalidade em poucas palavras: "Foi, sem
dúvida, um trabalhador incansável. Desde a minha tenra idade que me
habituei a ver nele um aventureiro, um homem que não envelhecia nem
no corpo nem nas ideias, sempre actualizado, sempre a par dos
acontecimentos domésticos, locais, nacionais e estrangeiros".
Face aos laços de parentesco que o unem ao
homenageado, António Rodrigues Mourinho mostrou-se um pouco
descontente com o tema que abordou na cerimónia de homenagem (Arte i
artesanato de I pobo Mirandês), já que preferia ter falado da vida e
obra do seu tio. "Acompanhei-o desde os dois anos e tinha com
ele uma relação que não era de tio para sobrinho, mas de pai para
filho", dasabafou o responsável.
MOURINHO,
António Maria
Presbítero,
arqueólogo, etnógrafo e poeta núrandês (Sendim, Miranda do Douro,
14.2.1917 - Lx.', 13.7.1996). Concluiu Teologia no Seminário de
Bragança (1941) onde foi professor durante um ano, até ser
incardinado (1942) na paróquia de Duas Igrejas (Miranda do Douro).
De cedo vocacionado para o estudo do património local, viria a
elaborar uma obra a qual, em conjunto com as do Abade de Baçal e do
Padre Firirnino Martins (Vinhais) é fonte de necessária consulta
para o conhecimento do Nordeste Transmontano na história, na cultura,
na língua e na religião. A
ele se deve a recuperação do dialecto mirandês para a literatura
desde que, em 1942, publicou lendas e poemas nesse dialecto (Las
siete Annanas, Nossa alma i
nossa tierra, Amiyos del Sou Amiyo),
e, de seguida, a partir de 1944, um conjunto de estudos linguísticas
de relevante importância: Gramdtica
Mirandesa, Origens do Mirandês,
Diversidades subdialectais do Mirandês
e Apontamentos sobre o Conto Popular
Mirandês, etc.). Investe muito do seu tempo na pesquisa de aras,
pedras, lendas, monumentos e documentos, quer na região duriense,
quer em arquivos espanhóis. Dessa
pesquisa resultou uma extensíssima obra, constituída por mais de
meia centena de importantes títulos, para além de muitos outros
esparsos em jornais e revistas. Cerca
do final do decênio de 1960 decidiu abandonar a vida eclesiástica,
revertendo ao estado laical e contraindo matrimónio, enquanto, por
outro lado, concluía uma licenciatura em História (Porto, 1970) e
alargava o horizonte das suas pesquisas histórico-etnográficas em
Portugal e no Estrangeiro, sendo pessoa muito conhecida.
Com efeito, fundou (1945) o prestigiado Grupo Mirandês de Duas
Igrejas (Pauliteiros de Miranda) que se tomou vedeta primeiríssima do
folclore português, e que exibiu nas mais diversas partes do mundo,
onde o seu director e fundador era também nome conhecidíssimo.
Antes de falecer ainda publicou o 1.' volume do Cancioneiro
Tradicional e Danças Populares Mirandesas (1984). Nos últimos anos de vida leccionou na Escola Secundária de
Odivelas, residindo em Loures.
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