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Visita "Ad Limina"
O Episcopado Português terminou no passado dia 30 de Novembro a sua visita “Ad Limina”.
Uma concelebração eucarística com o Papa e o encontro de todos os Bispos com João Paulo II foram os últimos actos desta visita.
E foi o contacto com João Paulo II o que mais marcou os Bispos Portugueses, e muito particularmente o nosso Bispo Diocesano, D. António José Rafael.
Com efeito, os bispos portugueses não estavam sequer à espera de se encontrarem com o Papa pessoalmente. Os 10 minutos concedidos a cada um deles para localizar as Dioceses e os seus Bispos, com quem dialogou perante um mapa que tinha diante de si, foram o suficiente para deixar cada um dos Bispos Portugueses sensibilizados.
Mas para além dos encontros pessoais, os Bispos portugueses almoçaram ainda com João Paulo II, onde se falou, como não podia deixar de ser, da sua visita a Fátima nos próximos dias 12 e 13 de Maio do ano 2000.
Os Bispos visitaram depois as Basílicas de Roma e as Congregações Romanas, onde ouviram propostas dos responsáveis dos diferentes Dicastérios: Comunicações Sociais, Bispos, Culto Divino, Família, Doutrina da Fé, Educação, Clero, Religiosos, Migrantes e Itinerantes, Leigos e Causa dos Santos.
Para nos falar de tudo isto e de muito mais, quisemos ouvir o nosso Bispo, a quem foram postas algumas perguntas pertinentes e da maior importância para a nossa diocese.
Mensageiro: - Como foi o encontro com Sua Santidade o Papa João Paulo II? Que outras visitas foram feitas no âmbito da “Visita ad Limina” e a visita a outros locais, nomeadamente ao túmulo do Papa Português?
D. António: - O encontro pessoal com Sua Santidade teve a emoção muito especial de quem se despede… Foi a 5.ª visita “ad Limina”, tendo a primeira sido ainda no Pontificado do venerando Paulo VI, na qualidade de delegado do Senhor D. Manuel, impossibilitado pela doença de se deslocar a Roma.
Desde o início João Paulo II — o infatigável e prodigioso Visitador Apostólico — imprimiu aos encontros de “Ad Limina” um cunho novo, fascinante e incomparável, desdobrado em quatro momentos inesquecíveis: Entrevista pessoal, Recepção em grupo, Concelebração Eucarística na Capela Privada e Refeição Familiar.
Desta vez, como nas três precedentes, como se o tempo não tivesse inexoravelmente passado; a mesma solicitude e afabilidade, a mesma atenção e familiaridade, a mesma força de espírito e de encanto e ânimo pastoral.
Coube-me — “jus” da idade — ser o primeiro daquela manhã, antes do Bispo do Porto, e do de Leiria - Fátima, e do de Vila Real. Era o sinal de que seria esta a minha última visita “Ad Limina” como Pastor de Bragança-Miranda. Era a despedida… Ao Santo Padre, que em 1979 me confiou o Pastorado da Diocese mais Nordestina (como diz o mapa), roguei especial bênção para a NOVA CATEDRAL, para Bragança-Miranda da “Nova-Europa” (de S. Bento com S. Cirilo e S. Metódio e agora com S. Teresa Benedita, com S. Catarina de Sena e com S. Brígida de Roma), e para o Presbitério e Famílias do nosso Nordeste.
Fátima esteve presente, como sempre, nestes encontros coloquiais com o “Papa de Fátima”. Mas, desta vez, foi o máximo, porque Fátima vai ficar indelevelmente ligada … por três Actos Pontifícios — ao Jubileu “Ano 2000”.
Além das visitas aos principais Dicastérios Romanos, nomeadamente o dos Bispos e o da Causa dos Santos, destaco a visita à Cripta (escavações do “Cemitério Vaticano”) da Sepultura de S. Pedro, e a visita à Cripta (escavações desde o século segundo) da Basílica de S. Silvestre e S. Martinho).
Em virtude do Centenário do Pontifício Colégio Português e da Concelebração de toda a Conferência Episcopal na Igreja do Instituto Português de S. António, a visita ao túmulo do Papa Português João XXI foi feita apenas pelo Arcebispo Emérito de Braga em nome da C.E.P.
MB: - Celebrou-se recentemente a Semana dos Seminários e Vocações. Qual o ponto da situação dos nossos seminários em termos de lotação e encaminhamento?
Quando voltaremos a ter mais ordenações diaconais e presbiterais?
D. António: - Desde o lançamento do Projecto de Reevangelização e Renovação Diocesana — NID/EPPA ou NOVA CATEDRAL — em 1980, os Seminários Diocesanos constituíram o eixo-fundamental de toda a acção pastoral para a reorganização ministerial e dinamização de toda a Diocese. Neles se centraram e também comcentraram as maiores preocupações, cuidados, energias e recursos humanos e materiais. Eles absorveram todas as economias disponíveis. Eles sofreram, neste 20 anos, todas as vicissitudes para ultrapassar o longo e largo “deserto vocacional” que nos angustiava e nos manietava em todos os sentidos…
Converteu-se o Seminário de Vinhais em Colégio e Pré-Seminário e instituiu-se o Pré-Seminário em Família, mas ainda mal se começou com a nomeação de um Cooperador Vocacional por cada paróquia e localidade, que vimos urgindo nos últimos anos.
É urgente uma forte campanha pelo Colégio de Vinhais, pois este tem apenas metade da frequência de que dispõe.
De salientar o surto das chamadas “vocações tardias” e provenientes de fora da Diocese. Tendo tido em 1998 três Ordenações Presbiterais, pudemos ordenar, neste ano de 1999, cinco neo-Presbíteros, o que já não acontecia há mais de 35 anos.
Para o ano 2000 frequentam o Ano de Pastoral quatro seistanistas de Teologia.
Por esta retomada de Ordenações anuais, já nos foi possível colocar neo-Presbíteros, não só nas quatro zonas Pastorais, mas também nos 15 Arciprestados, e disponibilizar sete dos novos Sacerdotes para se especializarem em Ciências Eclesiásticas, em Salamanca, em Paris, em Friburgo, em Roma e no Porto.
MB: - Como vê V. Exc.ia Rev.ma a Evangelização na modernidade e na pós-modernidade? Como inculturar o Evangelho na situação actual da nossa cultura?
D. António: - A Evangelização será sempre a incarnação do Verbo de Deus na realidade criada, de modo a habitar e “fazer corpo” com a actualidade humana, denomine-se esta — “modernidade” ou “pós-modernidade”.
Evangelização é a inserção da Palavra eterna no tempo e por isso, em todo o acontecer do homem. Depois da Encarnação, já nada pode ser alheio nem escapar a esta junção e interpretação Cristificante, baptizando — isto é, enxertando” de Cristo — a “nossa cultura”: “naturalizando” Cristo nessa cultura, fazendo “renascer” de Cristo essa cultura.
O Evangelho não aliena a cultura, antes a ajuda a preservar e aprofundar a sua identidade.
A Evangelização dá sentido e valor de eternidade à temporalidade, que é “fermentada" de ressurreição.
Evangelizar é cristificar Cristificaremos a NORDESTINIDADE, se evangelizarmos a NOSSA CULTURA de hoje do futuro.
MB: - Como entende que deverá ser o perfil do Padre Diocedano para o próximo milénio na nossa Diocese?
D. António: - Perfil do Padre Bragançano-Mirandense para o próximo Milénio: “Pastor da graça e da verdade de Jesus Cristo e por Jesus Cristo” — no caminho do homem, portanto, em diálogo permanente da fé com a cultura, e da religião com a vida, e da pastoral com o desenvolvimento ou a paz.
MB: - O Projecto do Estatuto Económico do Clero arranca ou não terá passado de um sonho sem perspectivas de futuro?
D. António: - O Projecto do Estatuto Económico do Clero já foi definido na Sessão de Setembro do Conselho Presbiteral. Está a fazer-se a sua regulamentação.
MB: - O Sínodo Diocesano vai ter pernas para andar, ou já não temos tempo útil para o celebrar?
D. António: - O Sínodo Diocesano tem demorado a arrancar mais do que desejávamos e prevíramos. Mas não vai retardar mais…
MB: - Finalmente. Que nos diz dos tristes acontecimentos que ocorreram na Catedral?
D. António: - Esperava que os desacatos a que me referi no “S.O.S. à PSP”, antes de partir para Roma, fossem os últimos. Infelizmente tal não aconteceu. Mas resultou daí que a Comunicação Social — toda ela, a quem presto a minha mais rendida homenagem de reconhecimento — lançou um “alarme geral” pró-Catedral de Bragança e a P.S.P. conseguiu descobrir os díscolos, autores de todos aqueles vandalismos.
A nossa preocupação agora é desencadear, o mais rapidamente possível, a retomada das obras para a conclusão da fase final da Catedral, e associar os “Vizinhos da Catedral” para a prevenção e preservação do “Espaço e Monumento” mais nobre da Cidade.
Inocêncio Pereira
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