I.
CARACTERÍSTICAS DESTA EDIÇÃO 0.1
A publicação
de um Dicionário de Mirandês-Português é agora feita pela
primeira vez. Esse facto levou-nos a considerar a
necessidade de fazer uma edição 0 e em formato
exclusivamente virtual, para facilitar o seu acesso, edição
e, sobretudo, a sua discussão. O estádio da investigação
sobre língua mirandesa, a ainda reduzida literatura, a falta
de recolhas sistemáticas de léxico e o facto de a Convenção
Ortográfica da Língua Mirandesa não abranger todos os
aspectos da ortografia e da gramática aconselham a este
procedimento. Assim, pretende-se que esta primeira edição
seja objecto de discussão e sugestões, a incluir numa futura
1ª edição, donde constarão os nomes de todas as pessoas que
venham a pronunciar-se sobre qualquer aspecto da obra.
Admite-se que esta edição venha a ter várias versões, que
serão numeradas como edição 0.1, 0.2, etc., e em que será
indicada a respectiva data. As letras serão publicadas de
forma avulsa, começando-se pela letra mM, de “mirandês”. Uma
vez publicadas todas as letras, os vários textos serão
consolidados num só.
Pelas razões
apontadas, nesta edição quase tudo é experimental: a grafia
usada pretende ser uma recolha das várias formas mais
usadas, embora com preocupações normalizadoras; faz-se uma
primeira caracterização morfosintáctica extensiva do
mirandês, porventura ainda com erros e lacunas; a variação
dialectal é tida em conta na medida do conhecimento
actualmente existente.
Houve a
preocupação de colocar algumas notas de carácter didáctico,
tendo em conta que entre os destinatários deste dicionário
se contam falantes de português e falantes de outras
línguas, que usam o português como língua veicular.
Foram
respeitadas as regras da Convenção Ortográfica da Língua
Mirandesa e sua Primeira Adenda. Teve-se em conta a proposta
de Segunda Adenda.
No
estabelecimento de equivalentes portugueses para as palavras
mirandesas, usámos como dicionário de referência o
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia
das Ciências de Lisboa, não incluindo as palavras
portuguesas dele não constantes. Além do referido
anteriormente, tivemos em conta o Dicionário de
Tétum-Português, quanto à metodologia seguida, tal como é
descrita nas respectivas introduções, nas quais é
apresentada com um grau de explicitação que não é habitual
em obras desta natureza. Este último dicionário foi, ainda,
tomado em conta por haver problemas similares no tratamento
das línguas em causa. Foram também consultados os seguintes
dicionários: Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de José
Pedro Machado, atento o grande número de regionalismos e
arcaísmos que contém; Dicionário Essencial Língua
Portuguesa, Porto Editora, na medida em que contém o que se
pretende como o léxico mais corrente da língua portuguesa;
Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, pela sua
exaustividade; Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, pela
sua actualidade e exaustividade.
II.
MACRO-ESTRUTURA
O Dicionário
de Mirandês-Português divide-se nas seguintes partes:
-
Introdução;
- Lista de
abreviaturas e convenções usadas;
-Nomenclatura, lista de entradas do dicionário e suas
descrições, organizada alfabeticamente
- Índice da
toponímia maior de uso considerado mais corrente pelos
falantes de língua mirandesa;
- Lista de
obras consultadas.
- Lista de
antropónimos?
III.
MICRO-ESTRUTURA
1. Âmbito
Procurou-se
traduzir ou definir a totalidade das palavras de uso
corrente na oralidade e na escrita, tendo em conta: a
variação dialectal; os principais elementos de formação de
palavras do mirandês; a variação gráfica, de origem
dialectal ou não; as combinatórias fixas, locuções e
expressões idiomáticas; os neologismos.
A variação
dialectal e gráfica são registadas, mas a sua origem não é
expressamente identificada.
Os
neologismos não são identificados, registando-se apenas
aqueles cujo uso foi possível detectar na escrita de autores
de língua mirandesa ou de uso corrente na oralidade. Não
houve a preocupação de suprir eventuais lacunas de
vocabulário recorrendo à sua inclusão, nomeadamente no que
respeita a termos técnicos e científicos.
Não são
objecto de tratamento os vários níveis de uso: a gíria, o
calão, o contexto familiar ou outro. Sempre que possível, é
indicada frequência de uso (m.us.).
O
vocabulário arcaico ou caído em desuso não é objecto de
identificação sistemática.
Não é feito
qualquer tratamento de nomes próprios e siglas.
Não se dão
indicações relativas a: fonética, dado que a escrita
adoptada respeita a Convenção Ortográfica da Língua
Mirandesa; etimologia, por não haver estudos que permitam o
seu tratamento exaustivo.
2.
Organização das entradas lexicais
a) Tipos
de entradas
As entradas
encontram-se divididas em artigos e remissões. Os artigos
incluem a entrada, seguida da sua classificação gramatical e
do seu equivalente português ou de uma definição. As
remissões incluem classificação gramatical, caso seja
diferente da palavra para a qual se remete, seguida de
vd. ou m.q. e da palavra a consultar.
b)
Critérios das entradas
É apresentada uma entrada
para cada palavra e para cada elemento de formação.
As palavras
homónimas são ordenadas segundo critérios de lógica e uso.
Têm entrada
diferente:
- os
homónimos com origem etimológica diversa;
- os
homónimos com a mesma origem origem etimológica, mas com
classificações gramaticais distintas;
- os
femininos de formação não regular;
- homógrafos
de género fixo diferente: ex. capital s.f., capital
s.m.;
- plurais
com sentido claramente diverso do singular: ex. modo,
modos;
- palavras
parcialmente homografas de formas de género fixo,
que designam seres animados com dois géneros: ex. músico,
música;
- os
aumentativos e diminutivos não regulares ou que têm sentido
próprio;
- gentílicos
(nome, adjectivo e língua);
- palavras
com variação de escrita que não apresentam variação fonética
e semântica. (m.q.)
c)
Entradas em linha
Têm entrada
em linha: (vd.)
- palavras
com variação interna: ex. renozielha, denozielha;
- palavras
com variação prefixal: ex. mostrar, amostrar.
Apresenta-se
em primeiro lugar a forma tida como mais usada. Se a entrada
for de palavras seguidas na ordenação, suprime-se a
considerada menos usada.
3. Estrutura
dos artigos
a) Forma
da entrada
As entradas
são ordenadas alfabeticamente e escritas com letra minúscula
e a negrito.
As
classificações gramaticais são são dadas a seguir à entrada,
em itálico, salvo no caso das locuções, que aparecem no
interior do artigo.
As palavras
invariáveis, adv., conj., prep., interj., apresentam
uma forma única e aparecem indexadas a esta.
Os verbos,
v., são indexados no infinitivo.
A
classificação dos substantivos, adjectivos, artigos,
pronomes e numerais é feita da seguinte forma:
-
substantivos comuns de dois: s.m.f.
- adjectivos
comuns de dois adj.m.f.
-
substantivos de género fixo s.m., s.f.
- adjectivos
de género fixo adj.m., adj.f.
-
substantivos com flexão de género s.
- adjectivos
com flexão de género adj.
- pronomes
com indicação de m., f. ou m. f.
- numerais:
num. card.; num. ord.; num. frac.
Nos verbos
indica-se apenas a classe.
Nos
substantivos e adjectivos apresenta-se indicação de classe,
seguida de indicação de género e número por defeito.
Nos pronomes
apresenta-se a classe e subclasse.
Nos numerais
apresenta-se a indicação de classe e subclasse.
b)
Equivalente ou definição
O
equivalente português ou a definição da palavra em mirandês
são dados em letra maiúscula, salvo tratando-se de
combinatórias fixas, locuções e expressões idiomáticas.
Sempre que a
palavra da entrada ocorre no artigo, em expressões
mirandesas, é substituída por ~.
c)
Remissões e
As remissões
são feitas apresentando a palavra em mirandês, sem
formatação, depois de vd., m.q., SIN. ou ANT.
4. Organização das acepções
a)
Numeração
As acepções
são numeradas com algarismos árabes, quando superiores a
uma.
b)
Ordenação
A ordenação
das acepções é feita de acordo com os seguintes critérios:
- do sentido
mais usado para o menos usado;
- do sentido
concreto para on sentido abstracto;
- do sentido
mais geral para o mais específico.
c)
Equivalente ou definição:
A indicação
do equivalente em português ou da definição da palavra em
mirandês é feita de acordo com os seguintes critérios:
- evita-se
uma definição enciclopédica ou por perífrase, indicando-se,
sempre que possível, a palavra correspondente em português;
- se à
palavra em mirandês corresponde integralmente uma palavra em
português, apenas esta é indicada;
- se à
palavra em mirandês corresponde uma palavra em português
apenas em alguma ou algumas das suas acepções, estas são
indicadas, sendo no número 1. especificada a de uso mais
frequente;
- se à
palavra em mirandês corresponde uma palavra em português de
uso pouco corrente, esta é indicada, com especificação do
seu sentido;
- se às
várias acepções de uma palavra em mirandês correspondem
várias palavras em português, estas são indicadas pela ordem
de uso das acepções da palavra mirandesa.
- para as
expressões em mirandês evita-se dar expressões equivalentes
em português.
b)
Sinónimos e antónimos
Indicam-se, na medida do
possível, os sinónimos e antónimos relativos a cada uma das
acepções e no final de cada uma destas, com a indicação SIN.,
ANT. Se forem vários, são indicados sequencialmente,
separados por vírgulas.
c)
Exemplos de uso
Sempre que
se julgou necessário, ilustram-se as acepções com um ou mais
exemplos de uso, construídos para o efeito, introduzidos por
dois pontos, em itálico e separados por ponto e vírgula,
sempre que seja mais de um..
d) Combinatórias fixas
Não têm
entrada autónoma e registam-se, a negro e por ordem
alfabética, no fim de cada definição das várias palavras que
as compõem.
e) Locuções
As locuções
prepositivas, conjuncionais e adverbiais inscrevem-se no
corpo do artigo da entrada lexical depois de todas as
acepções.
f) Expressões idiomáticas
Inscrevem-se
no corpo do artigo da entrada lexical depois de todas as
acepções.