Walter Pires
A todos os oriundos de Brunhoso.
Sou brasileiro, mas minha avó materna nasceu em Brunhoso, em 1905, e
meus
dois avós paternos nasceram em Mogadouro.
Estarei viajando para Portugal no final deste mês de Abril de 2005.
E planejei visitar, pela primeira vez, Mogadouro e Brunhoso nos dias
5 e 6 de Maio.
Pelo lado materno creio que serei a primeira pessoa da família a
retornar a essa região desde que minha avó, irmãos e seu pai
emigraram para o Brasil em 1913.
Gostaria de tentar obter alguma informação sobre esses meus
antepassados, apesar dos quase 100 anos que se passaram.
Meu bisavô era carpinteiro e chamava-se José dos Santos Carvalho,
filho de Maria Josefa de Carvalho, deve ter nascido por volta de
1872 ou 73.
Minha avó chamava-se Anna dos Santos Carvalho, e tinha 8 anos quando
imigrou para o Brasil. Os outros irmãos eram Ermelinda Aurora, com
13 anos; Lucilia da Purificação, com 12 anos; Alberto da Assunção,
com 10; e António José, o mais novo, com 5 anos. Todos já falecidos.
Segundo minha avó, sua mãe chamava-se Maria Umbelina e morreu em
1911, logo após o nascimento de uma filha, que faleceu também.
O avô materno, pai de Maria Umbelina, ajudou criar os netos até
morrer pouco tempo depois, quando meu bisavô resolveu imigrar para o
Brasil. Esse avô, segundo minha avó e sua irmã Aurora, chamava-se
Vicente Constante, era alfaiate e de um local chamado Castro
Vicente.
Não tenho confirmação, mas parece que o pai de meu bisavô, José dos
Santos Carvalho, chamava-se António ou Manuel (?) Augusto Ferreira,
apelidado de Penarroia (talvez por ser de Penas Roias, que vi no
mapa é um local nessa região também).
Outro filho de Augusto Ferreira, chamado António também carpinteiro,
emigrou para São Paulo nessa mesma época. Retornou com a família
(esposa portuguesa e filhos brasileiros) na década de 1920 para
visitar a família em Brunhoso e ficaram uns 2 ou 3 anos, retornando
para o Brasil (São Paulo), definitivamente, em 1928, mais ou menos.
Enfim, agradeceria muito aos amigos de Brunhoso ou que consultam
esta página se puderem ter alguma informação que confirmem esses
dados familiares.
Há algum local em Brunhoso onde se possa localizar documentos -
registros, óbitos, nascimentos, baptismos - que ajudem a confirmar
esses dados?
Meu e-mail é walterpires@uol.com.br
Abraço, Walter Pires
7/04/2005
02:42, São
Paulo, Brasil,

São Paulo, Brasil
Caro Walter Pires,
Só hoje vi a tua mensagem na página de Brunhoso. Sou José Magalhães
e nasci tb em Brunhoso. Fiquei curioso em saber se vieste cá e se encontraste, de facto, os familiares que desejavas.
Um grande abraço
Ao dispor
Zé Magalhães
12 de Outubro de 2005 |


Capela de S. Bárbara, Brunhoso
Prezado José Magalhães
Obrigado por
tua mensagem e interesse. E queira desculpar a demora na resposta.
Desde que fiz a viagem estava procurando escrever
minhas impressões da ida a Brunhoso e Mogadouro. E pretendia
aproveitar esse texto para te encaminhar como resposta.
Mas o tempo foi passando, escrevia um pouco,
interrompia, voltava a escrever, e ainda não completei.
Tomo a iniciativa de te responder, agora, estimulado
também pelas novas informações que você e outros amigos estão
inserindo e trocando, desde Dezembro, através do sítio de Brunhoso
na Internet.
Estou achando muito interessante e ajuda a relembrar-me
de muitos fatos relacionados aos meus avós dessa região: as
alheiras, os doces, a matança do porco, os provérbios.
É uma bela iniciativa. Recebam meus cumprimentos.
É curioso como nesse mundo complexo e fragmentado –
principalmente para quem mora numa cidade “monstro” como é São Paulo
e sente quotidianamente esse caos – é possível relembrar, organizar
e divulgar memórias de um pequeno povo, e como esse conjunto é rico
em densidade histórica e vivencial. É demonstração dessa bela,
diversificada e resistente espécie humana.
Enquanto escrevo, neste momento, ouço músicas de um
compositor brasileiro, de Pernambuco, de frevos e canções, chamado
Capiba (já falecido) e lembrei-me, também, da “desgarrada” que
ocorreu no fórum do sítio. Não conhecia esse tipo de versejar
improvisado em Portugal. Conhecia apenas os “repentistas” do
Nordeste brasileiro.
Foi outra boa surpresa, aprendida com vocês.
Mas, afinal, respondendo à tua indagação: estive em Brunhoso
no dia 6 de Maio de 2005.
E essa viagem a Mogadouro e Brunhoso foi inesquecível.
Sou arquitecto de formação e trabalho há quase 25 anos na
área de preservação do património histórico aqui em S. Paulo. Para
quem tem, como profissão, o trabalho com a história e a memória,
essa viagem, com minha esposa e um casal de amigos, que começou pela
Itália, prosseguiu em Lisboa, região da Beira e seguiu para
Trás-os-Montes e o Porto, foi densa de experiências e lembranças.
Estes amigos iam conhecer ou retornavam também às terras de
antepassados: Horácio à Itália, onde visitamos a região de origem de
sua família próxima a Nápoles, e Fátima, que retornava mais uma vez
a Pombal, onde nos hospedamos com seus familiares.
O dia da viagem foi emocionante para mim. Fui a primeira
pessoa de minha família a retornar a Brunhoso após a emigração de
minha avó, pai e irmãos, há quase 100 anos!
Saímos da região de Coimbra e passamos por Celorico da Beira,
Vila Nova de Foz Côa, até chegar ao final da tarde em Mogadouro,
onde nos hospedamos. Meus dois avós paternos também eram da região:
nasceram em Mogadouro.
No dia seguinte pela manhã, após um entardecer incrível com o
céu que mudava do azul profundo para o verde esmeralda, tons de
laranja, estrelado e profundo, segui finalmente para Brunhoso.
Lá chegando encontrei algumas pessoas e perguntando
sobre meus antepassados, o pouco que sei, acabamos sendo
ciceroneados pelo sr. Joaquim Cordeiro. Levou-nos ao sr. Amândio
Sieiro, e encontrei, por acaso, em frente à casa do sr. Amândio, o
sr. Francisco Mouro (cuja sobrinha, que mora aqui em S Paulo, tinha
me indicado por e-mail). Tentei obter algum dado que me confirmasse
a origem de meus avós. O sr. Amândio e o sr. Joaquim lembraram de
uma família de carpinteiros, da qual faz parte um dos tios de minha
avó, que também veio ao Brasil: tinham a alcunha de Penas Roias
(provavelmente eram originários dessa aldeia).
Lá, como em Mogadouro, deram muitas referências de uma
família de Brunhoso que veio para São Paulo e aqui se deram bem: os
Moredo. Conhecia de nome, pois como arquitecto lembrava de empresa
com esse nome, mas não sabia que eram de Brunhoso.
De todo modo, depois de tanto tempo passado, as informações
são difíceis de obter ou de lembrar. Não tinha como objectivo
encontrar familiares. Sei pela história familiar que isso seria
pouco provável. Gostaria de ter confirmado sua presença na aldeia.
Talvez o túmulo de minha bisavó, a confirmação de um bisavô
alfaiate, algum local onde tivessem morado.
O sr. Joaquim foi gentil e nos acompanhou à Capela de Sta.
Bárbara, à Igreja e ao Cemitério.
Infelizmente, não pudemos ficar muito tempo, tínhamos que
seguir nesse mesmo dia para o Porto. Mas foi uma jornada muito
marcante.
Um dos dias mais emocionantes de minha vida, com certeza.
Continuo acompanhando a página da Internet e a troca de
mensagens no fórum de discussão. Fico olhando “por detrás da porta”,
pois acho que estaria me intrometendo um pouco se me manifestasse em
conversas tão integradas entre os brunhosenses... mas tenha certeza
que são informações e diálogos que têm enriquecido muito minhas
memórias e sensibilidade de descendente de portugueses.
Grande abraço
Walter Pires
21-01-2006 |