Festas e Romarias

As
festas e romarias continuam a ser realizadas na freguesia,
funcionando como um meio de recordação e preservação das tradições
locais. Assim, destacam-se as festas em honra de Santa Bárbara, no
segundo fim-de-semana de Agosto, e a dedicada a São Brás, em
Fevereiro. As duas romarias iniciam com missa celebrada em honra do
Santo, seguindo-se a festa profana com música, alegria e muito
convívio.

A
Romaria de S. Brás é essencialmente efectuada para os jovens, que
são os Mordomos da Festa.
Trajes
Relativamente aos trajes típicos, os habitantes de Brunhoso recordam
ainda os trajes que se usavam há 100 anos atrás, compostos pela
saia, o chambre, o avental e chinelos de algodão.
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A freguesia de Brunhoso é detentora de várias
tradições, nomeadamente no que se refere aos rituais utilizados em
determinadas festividades, destacando-se:
A Ronda
Esta tradição baseava-se num grupo de rapazes
da aldeia que se reuniam e andavam pelas ruas do povoado, tocando
guitarra e viola e fazendo cantigas para as raparigas. As cantigas
variavam conforme as pessoas e as situações, destacando-se as
seguintes:
Cantigas de Ronda:
Agradei-me do bonito
Não me lembrou da fazenda
Agora que morro à fome
O bonito não me lembra.
Menina que estás lá dentro
À conversa com o teu pai
Vem ver o teu amor
Se é algum dos q’aqui vai
Menina que estás à janela
Não sejas tão janeleira,
A adega que tem bom vinho
Não precisa de bandeira.
Tenho uma laranja podre
Ao canto do meu telhado,
P’ra dar às alcoviteiras
Que de mim tem falado.
Os setes estrelos vão altos
A lua já embarcou,
Abre-me à porta menina
Que há sete horas q’aqui stou.
Quem me dera ser a edra
Pela parede subir,
Para ver o teu leito
Onde estavas a dormir.
Atrás daquela janela
Quantas horas eu passei,
Encostado ao meu amor
Quantos beijos eu lhe dei.
Reis

No dia 6 de Janeiro à noite, homens e mulheres
organizam-se em grupos para ir cantar os Reis pelas casas do
povoado. Era costume os donos da casa convidarem os cantores para
comerem e beberem alguma coisa, conforme as posses e vontade de cada
um.
Cantiga dos Reis
Ó da casa nobre gente
Senhores desta pousada
Escutareis e ouvireis
Esta nobre embaixada!
Refrão:
Nasceu a alegria
Não pode haver mais
Que nasceu Jesus
Bendito Sejais.
Esta vai por despedida,
Por cima da salsa crua.
Viva lá a Senhora Maria
Que alumia a toda a rua.
Refrão
Esta vai por despedida,
Por
cima do seu capote.
Viva lá o Senhor Francisco,
Q’é
uma estrelinha do Norte.
Esta
vai por despedida
Por
cima de uma azeiteira.
Viva
lá a Senhora Maria
Que é
uma rica cozinheira.
Esta
vai por despedida
Por
cima da verde escoba
Viva
lá o Senhor António
Mais a
sua senhora!
O
Entrudo
Nesta festividade é habitual a população, durante a tarde, percorrer
as ruas do povoado com um boneco que representa o Entrudo. Fazem-se
e cantam-se quadras e no final o boneco é desfeito, ou seja, o
entrudo termina e dá-se lugar à época da Quaresma.
Este povo é também possuidor de tradições na vertente da medicina
popular:
Para curar empingens
Fazer uma benzedura, untando, ao mesmo tempo, com azeite o local
afectado.
As
tradições relacionadas com os jogos típicos também vão sendo
mantidas, principalmente nos arraiais e aos Domingos, salientando-se
o Fito, a Relha, a Arraiola, o Ferro, o Pião e a Macaca.
Fito
Neste joga participam dois ou
quatro jogadores que tentam derrubar o fito (marco de pedra) com
duas pedras, ou, pelo menos, tentam aproximar ao máximo a sua pedra
do alvo. O derrube (chinar ou tombar o chino) do marco vale cinco
pontos, quem conseguir colocar o marco mais próximo do fito obtém
dois pontos. Ganha o jogo quem primeiro alcançar os 40 pontos.
Arraiola
Habitualmente jogado por rapazes, este jogo consiste em atirar uma
moeda a vários riscos feitos no chão.
Ferro
Este
jogo consiste em atirar parte de um ferro de bacelar o mais longe
possível.
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