A
Sexta-feira Santa em Brunhoso

É costume fazer-se em Brunhoso uma
Via-Sacra, percorrendo as ruas da aldeia com muita solenidade.
Esta tem lugar na Sexta Feira Santa e é
feita com muito silêncio, respeito e recolhimento.
Devo acrescentar que muitas pessoas
comentam que até gostam mais desta solenidade do que propriamente da
grande romaria que se faz no Verão em honra de Santa Bárbara.
Como é feita com tanto respeito e tanto
amor, decerto é muito do agrado dos Divinos Corações de Jesus e da
Sua Santíssima Mãe. Esta Via-Sacra começa assim:
Uns dias antes, quase sempre no Domingo
de Ramos, faz-se a muda do Divino Senhor dos Aflitos da Capela para
a Igreja.
Chamamos a esta Capela, a Capela de
Nossa Senhora das Dores.
Na Sexta Feira Santa, antes da adoração da Cruz e ainda dentro da
Igreja, é uma criança que faz a leitura da 1ª estação.
O senhor Padre preside e orienta toda a
cerimónia, mas a leitura de todas as estações é feita cada uma por
sua pessoa.
A Imagem do Divino Senhor dos Aflitos
vai caminhando pelas ruas, fazendo paragens em cada estação.
A segunda estação é feita por um
agricultor; fala ao Senhor do seu trabalho árduo e pesado e tantas
vezes tão mal recompensado. Esta estação é uma das mais belas. Jesus
vai caminhando connosco.
Agora é um jovem que fala dos seus
problemas e pede ao Senhor ajuda para levar a sua cruz.
A quarta estação, onde meditamos o
encontro de Jesus com a sua Santíssima Mãe, tem lugar junto à Capela
onde a Imagem de Nossa Senhora das Dores encontra o seu amado Filho.
Este encontro é comovente, vive-se, não
dá para explicar. È neste momento que pedimos ao Divino Senhor e sua
Santíssima Mãe pelos nossos irmãos emigrantes.
Estes, embora ausentes, estão presentes
no coração de todos nós.
A partir da quarta estação vão as imagens de Jesus e Maria
percorrendo as ruas da aldeia. O Divino Senhor dos Aflitos vai à
frente e Nossa Senhora das Dores, tal como no Calvário, acompanha o
seu Amado Filho.
A Via-Sacra continua e todo o povo
acompanha com muito respeito e devoção.
Termina na Capela onde ficam as imagens.
Aproveito ainda para informar que perto
da Capela de Nossa Senhora das Dores há um chafariz. E que grande fé
que as pessoas tinham com essa água!... Diziam que era água dos pés
de Nossa Senhora. Com ela lavavam os olhos e bebiam na esperança de
Nossa Senhora aliviar as suas dores, o que tantas vezes acontecia.
Por Helena Maria Magalhães
Março de 1994
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